sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cristianismo Carnavalesco

Quando se pensa em carnaval dificilmente faz-se qualquer relação com o Cristianismo, especialmente ao Cristianismo Evangélico Protestante, devido à grande ênfase a libertinagem, sexo, alcoolismo, entre outras características que todos conhecem e não há necessidade de citações. Mas nem sempre foi assim.

Curiosamente o Carnaval tem sua origem nas bases do Cristianismo Católico. A festa carnavalesca surge a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra "carnaval" está, desse modo, relacionada com a idéia de "afastamento" dos prazeres da carne marcado pela expressão "carne vale", que, acabou por formar a palavra "carnaval". Que contradição diante do que se tem visto na prática!

Durante o período do Carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. No período do Renascimento as festas que aconteciam nos dias de carnaval incorporaram os baile de máscaras, com suas ricas fantasias e os carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual.

Diante de tudo isto vemos o contra-senso do discurso e da prática, se bem que não estão tão distantes assim. A idéia principal sugerida no carnaval é que todos devem aproveitar o máximo dos prazeres da carne, pois em seguida terão um longo período de abstinência. A figura de que a penitência seria suficiente para expurgar todos os pecados cometidos transmitia, e ainda transmite, o incentivo para que as pessoas cometam todos os tipos de pecados, obras da carne como a Bíblia descreve na carta de Paulo aos Gálatas 5.19-21: "Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, pornografia, idolatria, feitiçarias, inimizades, brigas, ciúmes, iras, discórdias, desarmonia, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam".

Cristãos, crentes em Jesus Cristo, não se enganem! "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus". - 1 João 3.9

Pr Ivan Fidelis dos Santos

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Caça ou caçadores?

Não faz muito tempo fui "impactado" pela expressão "caçadores de Deus". Como quase não gosto de ironias, logo fiquei perguntando: "tem espingarda pra caçar Deus?" Ou ainda: "quando abater um você pode trazer a pele pra eu fazer um tapete?"

Fico impressionado como alguns cristãos conseguem fazer uso de palavras fora de seu significado e colocam nessa palavras sentidos, que só fazem sentido pra esse grupo mesmo.

Mas, extravagâncias à parte, poucos percebem que esses termos são um ataque direto à doutrina da graça. Se pararmos pra pensar um pouco sobre a carta de Paulo aos Efésios, capítulo 2, vamos entender que é incabível a expressão "caçar Deus".

Logo no versículo 1 ele impõe uma condição ao homem sem Deus que é contundente: "vocês estavam mortos nos seus delitos e pecados". Pergunto se algum morto tem condição de caçar alguma coisa? Aliás, pergunto mesmo, se morto tem condição de fazer qualquer coisa boa que possa agradar a alguém?

Veja a letra da música "Leva-me Senhor": Sou Teu caçador / Estou seguindo os Teus rastros / Eu vou Te encontrar eu sei  / Pois sinto o cheiro das Tuas águas / Quero Te conhecer / Eu quero ver a Tua face Desesperadamente...

Poderia fazer uma longa análise dessa letra, mas quero destacar alguma coisas, desespero é a condição de quem não tem esperança, entendo que essa letra fala de alguém sem esperança (nunca de um cristão). Como alguém sem esperança pode estar caçando Deus? Como alguém em angústia tal pode ser um caçador de Deus?

Nós não podemos nos deixar iludir por tais inconsistências no cristianismo. Efésios nos diz claramente: "fomos salvos pela graça". Quando nós estávamos mortos nos nossos delitos e pecado Deus é que nos "caçou". Ele não apenas nos encontrou, mas teve misericórdia de nós. Deus é aquele que busca as ovelhas perdidas, não o contrário.

Um outro ponto importante a destacar é o Deus "em fuga". Pense bem o real significado de "Estou seguindo os Teus rastros". O deus representado nessa expressão está se escondendo e me parece mais uma ameaça que uma expressão de adoração "eu vou te encontrar". Aqueles que foram encontrados por Deus não precisam seguir o cheiro e o rastro de Deus. Muito mais interessante é o ensinamento bíblico: "e juntamente com Ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus". Quem está vivo e assentado junto com Cristo, não precisa sair à sua caça. E, também, um Deus que nos dá vida e nos leva ao seu Reino, não se esconde como presa.

Na verdade, essa expressão "caçadores de Deus" tem muito a ver com marketing e nada a ver com doutrina cristã. É muito mais vendável um cristianismo cheio de aventura e magia, parecido com os filmes que constróem o nosso imaginário do que aquele cristianismo que se assenta, ora, canta os hinos do tempo da sua bisavó, etc. Hoje, algo pra vender precisa de emoção e aventura. Igreja pra ser cheia não pode ter "mesmice", tem que ser "dinâmica", "moderna", "ousada" e "cheia de expressão nova".

Uma pena que alguns, para vender o evangelho se esquecem do Deus da graça e da misericórdia, que nos alcançou, quando estávamos mortos.

Louvo a Deus, pois mesmo eu estando morto, quando não podia caçar a ninguém, Ele me alcançou e nunca mais se escondeu de mim, ao contrário, me deu um lugar em sua casa.

Alexandre Luquete

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Breve dicionário extravagante

A nossa proposta nesse dicionário é esclarecer aos próprios e à outros que tenham curiosidade de entender o que significam alguns jargões e/ou o que tem sido entendido sobre algumas coisas, no contexto pós-moderno de adoração e adorador, o extravagante.

Fruto de aguda observação e alguns anos de vivência na mentalidade do adorador pós moderno, lhes trago esse material. Quem tem ouvidos, ouça!

Adoração: Momento no qual, por meio de músicas ora barulhentas, ora melancólicas, porém igualmente maçantes e superficiais, é seguido um ritual de sons, movimentos exagerados e expressões faciais de dor com os quais o indivíduo se torna mais santo, menos mundano e mais perto de Deus. Ritual esse comandado por um ministro e em alguns casos até mesmo por um CD.

Adorador: status do indivíduo que se dispõe, sem sombra de indagação à tudo o que disser o ministro de adoração e/ou seus cantores favoritos.

Arte: Estratégia de evangelização.

Artista: O oposto de adorador; do ministro.

Bíblia: Livro largamente (e erroneamente, na maioria dos casos) citado, mas pouco consultado, pesquisado ou minimamente lido. Para os levitas: Fonte inesgotável de analogias, utilizada muito para justificar todo o tipo de exagero e manipulação congregacional no momento do louvor; os chamados "atos proféticos" por eles realizados. Muito lembrado, também no momento em que se escolhem os nomes para as bandas ou ministérios. Para os pregadores: Instrumento principal de imposição da "verdade" e de toda sorte de doutrinas e, consequente manipulação em massa. Também utilizado para dar algumas ordens à Deus.

Dança: Uma forma de adoração espontânea e profética. Como expressão de cultura nacional é considerada um pecado, contudo, quando dançado em ritmos norte-americanos como o hip hop, break dance, se torna uma boa forma de evangelismo. Na reunião congregacional há a dança profética, um conjunto de movimentos suaves, repetitivos e teoricamente carregados de significado sobrenatural, se assemelha à dança contemporânea ou ao balé, porém sem a mesma riqueza.

Deus: Ser desconhecido, não obstante muito admirado e aspirado. Se apresenta de diversas maneiras: no momento de dor, assume o papel de um analgésico: foi feito para acabar com o sofrimento em algumas horas e caso não o faça, é alvo de profunda decepção; nos momentos de felicidade, geralmente é relevado; algumas vezes se mostra como Todo Poderoso e todo castigador, detentor da grande marionete do mundo, velho, rabugento, severo tentador de seus servos; outras porém, como um ser inseguro e carente, que necessita de toda a adulação do Universo, e que para recebê-la, cede a todos os nossos desejos. Um ser a nossa imagem e semelhança.

Diabo: O responsável por tudo de ruim que acontece e aconteceu no mundo. Ser maligno que impõe mais temor e respeito aos seguidores de Cristo que o próprio Cristo, motivo pelo qual os cristãos não gostam que se mencione o seu nome ou de seus demônios, nem mesmo que se zombe dele o que atrairia sua fúria.

Gafanhoto: Pseudônimo para irresponsabilidade na administração financeira. Espírito que se fortalece quando não dizimamos ou quando não ofertamos com generosidade.

Ímpio: quem não é crente.

Jovem: Casta facilmente amoldável. Amantes de músicas agitadas e tudo que não exija reflexão, seus intelectos não devem ser estimulados, assim como sua capacidade analítica, o que causaria um pandemônio, deixando-os indomáveis e facilmente tragáveis pelo Inimigo.

Incrédulo: quem não é crente.

Louvor: Música de estilo norte-americanos ou europeu que possui uma boa quantidade de referencias bíblicas.

Mundo: todas as pessoas que não se declaram explicitamente cristãs.

Pecador: quem não é crente.

Samba: Musica extremamente mundana, exceto se de conteúdo explicitamente cristão. Ainda assim, inapta para a reunião congregacional. A dança é inaceitável em qualquer dos casos.

Unção: Soma de carisma e fama. A capacidade de fazer a platéia gritar, pular, chorar etc. e de fazer milagres de cura espetaculares.

Universidade: Um dos lugares mais perigosos da Terra, onde é aprendido toda a sorte de teorias heréticas, lugar onde noventa e nove porcento dos jovens cristãos se desviam dos caminhos do Senhor, logo, um lugar a ser evitado.

Cerestino, no blog Profundo no mundo

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O Paradoxo Pentecostal

Há cerca de um século, o mundo protestante se viu invadido por um movimento avivalista que recebeu o nome de "movimento pentecostal". Este recebeu tal título por supostamente basear-se nos fatos acontecidos no célebre dia de pentecostes que ocorreu após a ascensão de Cristo aos céus, e que é detalhadamente explicado no capítulo 2 do livro de Atos dos Apóstolos. Segundo seus propagadores todo crente deveria buscar a mesma experiência vivida pelos apóstolos nesse dia, ou seja, segundo eles todos devem "falar em línguas" (alguns também chamam "línguas estranhas"). E ainda, segundo suas idéias, isso se dá o nome de "batismo com Espírito Santo". Todo crente deve, segundo a doutrina pentecostal buscar essa experiência. Como já dissemos, praticamente um século se passou e muitos, extremamente mal instruídos e preparados não se aperceberam de que o referido texto não fala em batismo. Que essa experiência só se repetiu mais duas vezes, em cumprimento a uma profecia de Jesus. E que falar em línguas é um dom do Espírito Santo, como o são outros oito descritos em I Coríntios 12. Outros líderes, entretanto, mesmo sabendo do engano, seguiram com a doutrina equivocada, mesmo porque já era tarde para reparar o equívoco. Afinal, como explicar para os milhares de membros das denominações pentecostais que eles foram ensinados errado até agora? Seria como se um padre viesse a público e dissesse: "não adorem Maria, foi tudo um engano!" - imagine o caos.

Teólogos renomados, no afã de defender suas fileiras chegaram ao cúmulo de afirmar que só quem fosse "batizado" com o Espírito Santo, ou seja, falasse em "línguas estranhas", poderia estar à frente do trabalho do Senhor. Coitados. Esqueceram Lutero, Calvino, Spurgeon e Martin Luther King, só para citar os óbvios, que nunca falaram nenhuma "língua estranha" e tocaram a obra cheios da unção de Deus.

Com o advento do pentecostalismo passou a se ver nas igrejas algumas coisas nunca vistas antes. O que antes era um culto racional tornou-se um centro de emocionalismo exacerbado, onde na grande maioria dos casos as pessoas quase nunca conseguem ouvir a pregação da Palavra de Deus. A coisa chegou ao ponto de pastores recriminarem irmãos que não choram na hora do culto. O barulho alcançou decibéis muitas vezes insuportáveis, e é de se imaginar nesses momentos como Jesus ou Paulo pregavam. Alguém poderia imaginar o Rei dos Reis pulando e correndo enquanto pregava o evangelho da salvação? Ou mesmo Paulo de Tarso pulando em um pé só ou atirando-se ao solo urrando ou gemendo? Mesmo Lutero, será que entraria por essa linha? Essa modificação homilética chegou com o pentecostalismo, que confundiu pregações avivadas, como as de Wesley, com barulho emotivo e vazio. Eis a primeira contribuição prática do movimento. Passagens com Eclesiastes 5:1,2; Habacuque 2:20; Romanos 12:1 e I Coríntios 14:40, perderam completamente o sentido, sendo sumariamente ignoradas.

Com o tempo a coisa foi piorando. Além da exigência infundada de que as pessoas deveriam buscar a todo custo algo que elas já teriam (o batismo com o Espírito Santo), os cultos passaram a ser classificados. Culto "frio": onde se prega a Palavra de Deus de forma clara e fiel, sem invenções ou arroubos. Culto "quente": onde as pessoas gritam, pulam e se descabelam. Sobem nas cadeiras, saem correndo pela igreja, sacodem uns aos outros e coisa pior. A lista é grande. Lembrando sempre: estas coisas se dão dentro da Casa de Oração do Senhor dos Exércitos. A Palavra de Deus foi perdendo terreno aos poucos. As "visões", "profecias", "arrebatamentos" e outros "sinais", além das "línguas" passaram a ser componentes indispensáveis para que um culto fosse considerado com "unção". Além disso, surgiu uma teologia estranha à Bíblia acerca de vestes, que logo se tornou uma imposição farisaica, e que persiste até hoje.

Interessantíssimo é ver que igrejas da mesma denominação, associação ou convenção, que são regidas pelo mesmo estatuto ou regimento interno, não pregam a mesma coisa. Em uma igreja mulher é obrigada a usar saia. Em outra pode usar calça. Em algumas, brincos são permitidos, em outras são vistos como coisas de satanás. Mas afinal, não são os líderes mensageiros de Deus? Terá Deus duas palavras? Acredito que não. Algo está errado. Depois de anos e anos de perseguição, as denominações pentecostais estão sendo desmascaradas nesse ponto. E como ficam os crentes de décadas passadas, que foram sumariamente perseguidos por seus líderes nessa questão, e que hoje vêem as coisas mudadas? Será que há trinta anos Deus proibiu uma coisa e hoje esse mesmo Deus liberou-a? Ou será que na verdade não era a voz de Deus que estava falando, e sim a voz do homem?

Observe uma igreja tradicional (por exemplo, uma Presbiteriana, Congregacional ou uma Batista) e veja quantas vezes ela mudou sua declaração doutrinária. Agora veja as igrejas pentecostais e analise a mesma coisa. Estão muito diferentes de quando foram fundadas. Que doutrina é essa?

A partir da metade do século XX algo começou a mudar. Igrejas tradicionais começaram a embarcar nesta onda. O que antes era restrito às denominações pentecostais espalhou-se no meio reformado de raiz. E o que aconteceu? Rachas atrás de rachas. Uma pergunta: Deus se alegra com divisões? E o que o movimento pentecostal mais trouxe ao Brasil? Isso mesmo: divisões. Só para citar um exemplo, a maior igreja pentecostal do Brasil ["assembléia de deus"] surgiu de uma divisão, quando dois missionários suecos causaram um racha em uma igreja tradicional [Batista] em Belém (PA) e levaram consigo 19 membros da igreja alheia [leia aqui sobre a verdadeira história das assembléias de deus]. Foi isso que Deus os mandou fazer no Brasil? Até onde sabemos missionários andam em busca de almas perdidas, e não daquelas que já estão convertidas.

Quando o movimento invadiu o meio tradicional foi um "Deus-nos-acuda". As divisões foram inevitáveis. E então começou um processo chamado "tiro no pé". O raciocínio é simples. Assustados com o crescimento vertiginoso das denominações pentecostais, pastores tradicionais se sentiram diminuídos, e passaram a entender que, se cresciam os "avivados", é porque o movimento devia estar correto. Tolinhos. As religiões que mais crescem no mundo são o islamismo, o mormonismo e as Testemunhas de Jeová. Estão eles certos porque crescem muito? E a igreja evangélica que mais rápido se expande no Brasil é a IURD. Vamos adotar suas práticas estranhas ao Evangelho por isso? Esse foi o erro da igreja tradicional. E que vem persistindo.

Mas o mais engraçado, é que quando os tradicionais se "tornaram" pentecostais, em alguns aspectos acabaram se tornando ainda mais exagerados em suas celebrações. O culto santo, racional e reverente de adoração a Deus tornou-se, com o perdão da palavra, uma baderna generalizada. Abraçaram práticas descabidas como quebra de maldições hereditárias e intervenções territoriais completamente equivocadas, unção de objetos e outras coisas. E ai de quem disser o contrário. É frio, incrédulo, tradicional e outros rótulos menos dignos. Está quase desviado. Simplesmente porque só quer ouvir a Palavra de Deus.

Chegamos ao século XXI com uma situação que seria constrangedora não fosse tão ridícula. Os pentecostais querendo regular a bagunça que criaram. Basta ler os livros da nova geração de pastores e teólogos oriundos do movimento para ver suas preocupações. Basta dar uma olhada em títulos como "O Evangelho que Paulo Não Pregaria" e "Erros que todos os Pregadores Devem Evitar" Orientam contra profecias, visões, exageros, pregações teatrais, arrebatamentos, anjos, etc. De repente estão ávidos por Palavra, ensino, estudos, seminários, faculdades teológicas. Só esquecem de dizer uma coisa: Perdão.

Também não tocam na questão das "línguas estranhas", que eles transformaram em dogmas. Aí também já seria demais. A igreja [pentecostal] foi fundada sobre esta "pedra". Retirá-la seria fatal.

E hoje o quadro hilário é esse. Os tradicionais querendo cada vez mais ser pentecostais, porque querem suas igrejas cheias a qualquer custo, esquecendo-se das palavras do próprio Cristo em Lucas 12:32. E os pentecostais querendo a todo custo trazer um pouco da reverência tradicional para dentro de suas igrejas, sendo que foram eles mesmos os responsáveis por sua retirada. É pra rir ou pra chorar?

Missionário Neto Curvina

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O falar em línguas ao longo da história

O montanismo - é um movimento herético cristão iniciado por Montano por volta do ano 170. Também é denominado heresia dos frígios (cidade da Ásia menor) ou dos pepuzianos, para indicar a região de origem e o centro do movimento. Duas profetizas, Priscila e Maximila, logo se tornaram seguidoras de Montano. Eles afirmavam ser porta-vozes do Paracleto, o Espírito Santo. Eles criam que às vezes Deus falava por meio deles na primeira pessoa, como por meio dos profetas do Antigo Testamento. A sua mensagem principal era a proximidade do fim do mundo e da segunda vinda de Cristo. Como preparação para isso, os cristãos eram exortados a praticar um rigoroso ascetismo (a disciplina e o auto-controle do corpo e do espírito) abstendo-se de relações conjugais e fazendo numerosos jejuns. Também eram exortados a receber de bom grado as perseguições. O movimento de Montanus enfatizava sobretudo a continuidade dos dons extraordinários como falar em línguas e profecias. A Igreja Cristã reagiu fortemente contra o Montanismo. O fanatismo e as reivindicações de possuir revelações superiores às do Novo Testamento fizeram do Montanismo uma ameaça à Palavra de Deus. E diante desta ameaça à Palavra de Deus, a posição da Igreja foi condenatória. Em 381, o Concílio de Constantinopla, condenou o movimento como herético.

A história não registra entre Cristãos a ocorrência de falar em línguas extático (causada por êxtase) até o início do século XX, quando começa o pentecostalismo. Porém, em alguns grupos pequenos e isolados, os quais se diziam cristãos, houve a ocorrência de um falar em línguas extático. Vejamos alguns destes que alegaram ter tido este "dom":

1. Século 17

a. Os Quacres: Diziam que a experiência devia julgar a Bíblia e não o contrário, há alguns relatos de que houve o falar em línguas entre eles.

2. Século 18

a. Ann Lee e seus discípulos (Shakers): Falavam em línguas enquanto dançavam...nus!!

b. Jansenitas: Falaram em línguas ao dançarem sobre o túmulo de Jansen...também nus!!

3. Século 19

a. Irvingitas: Sua principal característica era a de criar novas revelações além das presentes na Bíblia Sagrada.

O falar em línguas extático (causado por êxtase) entrou para o Cristianismo, através do movimento pentecostal iniciado no século XX.

Rev. Welington Alves

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Batista renovado?! Não!!! Apenas um pentecostal!!

O pentecostismo é um movimento moderno e humano. Foi fundado nos Estados Unidos, no ano de 1900, por um homem chamado Charles F. Parham [o fundador das "Assemblies of God", que aqui no Brasil, tomou o nome de "assembléias de deus". Era racista declarado e militante. Odiava negros e tudo o que não fosse da suprema raça ariana. Pertencia à KKK (Ku Klux Klan), desde tenra idade. Em 1910, enquanto fundava o pentecostalismo, tinha lugar de destaque na Ku Klux Klan. Foi preso após ter violentado sexualmente um garoto].

O pentecostismo é farto em erros: primeiro, por ter um fundador humano, depois vêm os ensinos falsos a respeito do batismo no Espírito Santo, o dom de línguas, curas, etc., mas o maior de todos é o erro que originou-se com Satanás e foi manifestado primeiro em Caim (Gên. 4:1-7): a salvação pelas obras!!

Por sua insistência na possibilidade da perda da Salvação por parte do crente, os pentecostais, calorosamente, abraçam uma doutrina católica que afirma: a salvação depende do próprio pecador!!

Eles ignoram o fato que a Bíblia Sagrada ensina: "porque pela graça sois salvos por meio da fé... não vem das obras..." (Efésios 2:8-9)

Eles não acreditam na promessa do Mestre quando Jesus Cristo, como nosso único e todo-suficiente salvador, afirma aos que confiam nEle: "...o que vem a Mim, de maneira nenhuma, o lançarei fora."(João 6:37).

Ensinar a salvação pelas obras é o trágico erro comum de todas as religiões e seitas falsas.

A Renovação Espiritual (ou qualquer outro movimento penteca) é apenas um braço do pentecostismo.

O pentecostismo, em si, nunca poderia ter entrado em outras denominações - era rude demais, mas com astúcia, disfarçou-se!

Disfarçou-se de um movimento novo. Uma revelação. A Renovação Espiritual se apresentou: uma senhora elegante, culta, educada trazendo as "boas (?) novas" de que Deus está oferecendo o "batismo" e o "dom de línguas" não somente aos pentecostais, mas agora! - diz essa senhora - Ele está manifestando os dons em todas as denominações!

E muita gente das principais denominações, incluindo muitos Batistas - sem investigar, sem medir essa tal "renovação" pela palavra de Deus, já engoliu essa mentira". "Por causa do seu orgulho, o ímpio não investiga..." (Salmo 10:4)

O tal renovado nega qualquer ligação como pentecostismo. Ele não investiga. Ele não tem tempo. Está preocupadíssimo, se enchendo de orgulho, para saber o que Deus pensa de tudo isso!

O protestante renovado é um coitado, mas também, ele já está acostumado a aceitar a opinião dos homens.

Mas um Batista renovado?! é uma vergonha! uma tragédia.

Um Batista pentecostal é uma contradição de termos, de definições. As duas coisas não podem existir na mesma pessoa. O Batista, que agora chama-se "renovado", já deixou de ser Batista!

Se o Batista procurasse saber sua história, que começou nos Evangelhos...

Se o Batista entendesse que, em Lucas capítulo 6, o próprio Cristo fundou a primeira igreja Batista com os seus doze apóstolos...

Se o Batista compreendesse que ele não é protestante, que ele não é ex-católico, que ele não é produto de nenhum movimento humano....

Se o Batista abrisse os seus olhos ao fato que a famosa (?) Renovação Espiritual não passa de pentecostismo disfarçado e que Satanás está usando, justamente, esse tipo de movimento carismático/ecumênico a fim de levar muita gente, muitas igrejas, muitas denominações, diretamente para os braços de Roma...

Se o Batista reconhecesse esses fatos.... ele riria no rosto de qualquer movimento que oferecesse "novas bênçãos" e o Batista, como os seus pés firmados na história, citaria, humildemente aos renovados, Efésios 1:3: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;"

HDM

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Batismo com o Espírito Santo e com Fogo

"E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo". (Mateus 3:11)

A nossa intenção neste pequeno artigo não é analisar de uma forma geral o ensinamento antibíblico de um batismo com o Espírito Santo pós-conversão, defendido pelos pentecostais e neopentecostais. Antes, queremos atentar para a passagem acima e ver à luz das Escrituras o que significa o "batismo com o Espírito Santo e com fogo" (vale ressaltar que esta é uma das passagens prediletas dos pentecostais e neopentecostais, a qual eles afirmam ensinar a necessidade de um revestimento de poder para os crentes após a conversão).

Tanto pentecostais como muitos reformados crêem que "o batismo com o Espírito Santo e com fogo" se refere ao batismo que os crentes genuínos recebem (é claro que a diferença quanto ao tempo desse recebimento e a extensão do mesmo é fundamental entre esses dois grupos). Mas o que diz "a Lei e o Testemunho"?

Primeiramente, vejamos o contexto da passagem:

7 - E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? 8 - Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento 9 - e não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. 10 - E também, agora, está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. 11 - E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; não sou digno de levar as suas sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 12 - Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará. (Mateus 3:7-12, ênfase adicionada).

Analisando cuidadosamente o discurso de João Batista, vemos que a expressão "batizará com o Espírito Santo e com fogo" refere-se a dois batismos distintos para duas classes de pessoas distintas:

a) O batismo com o Espírito é para o trigo, ou seja, para aqueles que produziram, pela graça de Deus, frutos dignos de arrependimento. O trigo é recolhido no Seu celeiro em virtude de ser algo muito valioso, muito precioso.

b) O batismo com fogo é para a palha, ou seja, para aquelas "árvores" que não produziram frutos, as quais serão cortadas e lançadas no fogo. Assim, a palha será separada do trigo, ou seja, os ímpios dos bons, e será queimada no fogo que nunca se apaga.

Além do mais, João Batista não estava se dirigindo aos discípulos dele ou de Cristo. Ao contrário, ele falava com os "fariseus e saduceus" que estavam querendo se batizar, sem demonstrar arrependimento. A esses ele diz: "Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?". Certamente João Batista não prometeria um batismo com Espírito Santo para tais pessoas.

Portanto, ao invés do "batismo com fogo" ser uma promessa para os crentes, ele é uma frase expressiva dos terríveis julgamentos que Ele (Jesus) infligiria sobre a nação Judia e sobre todos quantos morressem impenitentes; quando Ele os condenará pelo pecado de rejeitá-Lo; e quando Ele aparecer como o "fogo do ourives" e como o "sabão dos lavandeiros" (Malaquias 3:2); quando "o dia do Senhor" vier "ardendo como forno" (Malaquias 4:1); quando Ele "limpar o sangue de Jerusalém", Seu próprio sangue e o sangue dos Apóstolos e Profetas derramados nela, "do meio dela, com o espírito de justiça e com o espírito de ardor"; o batismo com fogo é o mesmo que a "ira vindoura", com a qual os ouvintes de João Batista são ameaçados no contexto, na ocasião da qual as árvores infrutíferas "serão cortadas e lançadas no fogo" e a "palha" será queimada com fogo que nunca se apaga.

Aqueles que insistem em afirmar que o "batismo com o Espírito Santo e com fogo" se refere a um só batismo, experimentado pelos crentes, costumam apelar para Atos 2:3 como prova de sua teoria. Contudo, lemos assim nesse verso: "Apareceram línguas como de fogo, pousando sobre cada um deles". Note que as línguas eram COMO de fogo e não DE fogo, ou seja, elas tinham apenas aparência de fogo. Além do mais, não vemos este ato repetido em numa parte da Bíblia. Até mesmo no batismo de Cornélio e de sua casa, o qual Pedro afirma ser o mesmo fenômeno experimentado por ele e os outros apóstolos, as "línguas como de fogo estão ausentes". Poderíamos ainda dizer que se "línguas como de fogo" fosse cumprimento de "batismo com fogo", esta promessa não é para nós, visto que ninguém, senão os 120 reunidos no cenáculo no dia de Pentecoste , experimentou isso em toda a história cristã.

É verdade que, como Calvino disse, é Cristo quem concede o Espírito de regeneração, e que, como o fogo, este Espírito nos purifica retirando a nossa imundícia. O Espírito tanto ilumina como purifica. Contudo, Mateus 3:11 não se refere a esta obra purificadora nos crentes, mas ao juízo final preparado para os ímpios. Portanto, concluímos com o puritano Dr. John Gill: "E como este sentido [o de julgamento para os ímpios] melhor concorda com o contexto, creio ser ele o genuíno; visto que João não está falando para os discípulos de Cristo, que ainda não tinham sido chamados, e que somente no dia de Pentecostes foram batizados com o Espírito Santo e com fogo, no outro sentido desta frase [no sentido de fogo como a obra da graça purificadora para os crentes – ver Isaías 6:6,7; Zacarias 13:9; Malaquias 3:3; 1 Pedro 1:7]; mas ele se dirigia aos Judeus, alguns dos quais tinham sido batizados por ele".

Felipe Sabino de Araújo Neto

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Realmente descia um anjo no tanque de Betesda?

O Tanque de Betesda, que em hebraico significa "casa de misericórdia", era localizado, segundo Flávio Josefo, em Jerusalém, ao norte do Templo, próximo ao mercado das ovelhas. Em escavações nesta região, no ano de 1888, o professor e arqueólogo, Dr. Conrad Schick, achou um grande tanque com cinco pavilhões (degraus), que levavam a uma parte mais baixa, onde havia água. Em uma de suas paredes havia a pintura de um anjo no ato de movimentar as águas! Segundo o credo e tradição judaica, de tempo em tempo, um anjo descia naquele tanque e movimentava as águas, o primeiro que entrasse no tanque após o movimento, era curado de qualquer enfermidade! Assim se arregimentavam grandes quantidades de pessoas, esperando receber algo através de um ato místico.

O fato relevante aqui é entendermos que o contexto nos mostra dois tipos distintos de multidão que buscam alguma benção de Deus. A multidão do Tanque de Betesda (a turba que gosta de anjos), e a multidão que seguia a Jesus! Aquela multidão que rodeava o Tanque é símbolo das inúmeras pessoas que esperam receber algo de um ritualismo religioso ou místico! O Tanque de Betesda é símbolo do formalismo e misticismo religioso, onde jazem milhões e milhões de pessoas ao redor de um símbolo, aguardando que um dia aconteça alguma coisa que os tire desta situação! Este grupo é levado pela superstição e pelo ritualismo. Ao contrário destes, o grupo que segue a Jesus, é dinâmico, cheio de satisfação e alegria por ver as maravilhas de Deus através do Senhor! Jesus tem que ser o centro e nunca às suas criaturas.

Prof. João Flávio Martinez - CACP

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