quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Carnaval: A Festa Da Carne

A palavra carnaval vem do termo "carnevalle" (no dialeto milanês, "o tempo em que se tira para o uso da carne".). Ela é sinônimo de uma festa onde todo o desejo da carne é considerado realizável. Ao longo dos séculos tem sido o carnaval uma festa onde a liberação dos desejos carnais proporciona todo o tipo de pecado. O carnaval é uma mascara para os participantes se entregarem a todo o tipo de perversidade sob o lema: neste dia vale tudo.


O Primeiro Centro do Carnaval foi no Egito. Dez mil anos antes de Cristo, homens, mulheres e crianças se reuniam no verão com os rostos mascarados e os corpos pintados para espantar os demônios da má colheita. As origens do carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações da humanidade, tais como as Festas Egípcias que homenageavam a deusa Isis e ao Touro Apis.


Os gregos festejavam com grandiosidade nas Festas Lupercais e Saturnais a celebração da volta da primavera, que simbolizava o Renascer da Natureza. Os romanos adoravam comemorar com orgias, bebedices e glutonaria. Na Pérsia, festas da deusa da Fecundidade Naita e de Mitra, deus dos Pastores. Na Fenícia, Festa da deusa da Fecundidade Astarteia. Em Creta, festa da Grande Mãe, deusa protetora da terra e da fertilidade, representada por uma pomba. Na Babilónia, as Sáceas, festas que duravam cinco dias e eram marcadas pela licença sexual e pela inversão dos papéis entre servos e senhores, e pela eleição de um escravo rei que era sacrificado no final da celebração. A Bacchalia era a festa em homenagem a Baco, deus do vinho e da orgia. Na Grécia havia um deus muitíssimo semelhante a Baco, seu nome era Dionísio, da Mitologia Grega, Dionísio era o deus do vinho e das orgias ou Bacanal. "O Bacanal ou Bacchanalia era o Festival romano que celebrava os três dias de cada ano em honra a Baco, deus do vinho. Bebedices e orgias sexuais e outros excessos caracterizavam essa comemoração.


O Carnaval Pagão começa quando Pisistráto oficializa o culto a Dioniso na Grécia, no século VII a.C. e, termina, quando a Igreja Católica adota, oficialmente, o carnaval, em 590 d.C. e adquire as suas características básicas, na Renascença. Termina no século XVIII, quando um novo modelo de carnaval (pós-moderno) começou a delinear-se.


Um outro centro do Carnaval fixou-se nas cidades de Nice, Roma e Veneza e passou a irradiar para o mundo inteiro o modelo de carnaval que ainda hoje identifica a festa, com mascarados, fantasiados e desfiles de carros alegóricos e que muitos autores consideram o verdadeiro carnaval. As características deste carnaval dito "cristão" (católico) é constituído pelo uso de costumes e práticas que fora dele são considerados pecado.


A origem do carnaval no Brasil


O primeiro baile de carnaval realizado no Brasil ocorreu em 22 de janeiro de 1841, na cidade do Rio de Janeiro, no Hotel Itália, localizado no antigo Largo do Rócio, hoje Praça Tiradentes, por iniciativa de seus proprietários, italianos empolgados com o sucesso dos grandes bailes mascarados da Europa. Essa iniciativa agradou tanto que muitos bailes o seguiram. Entretanto, em 1834, o gosto pelas máscaras já era acentuado no país por causa da influência francesa. Ao contrário do que se imagina, a origem do carnaval brasileiro é totalmente européia, sendo uma herança do entrudo português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos depois, no início do século XX, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu desenvolvimento e originalidade.


O deus do Carnaval


De origem greco-romana, Momo é a figura mais tradicional do carnaval. Segundo consta a lenda, ele foi expulso do Olimpo, habitação dos deuses, por causa de sua irreverência. Nas festas de homenagem ao deus Saturno, na antiga Roma, o mais belo soldado era escolhido para ser o rei Momo. No final das comemorações, o eleito era sacrificado a Saturno em seu altar.


O carnaval traz em si uma manipulação do subconsciente coletivo dos súditos do rei Momo, que os leva a viver quatro dias livres de regras - todas as regras. Aliás, a única regra no carnaval é que não existem regras. E isso faz com que os foliões vivam os dias da festa, desculpe a dureza das palavras, como animais, cedendo a todos os estímulos carnais, saciando todos os loucos desejos, dando vazão aos devaneios da alma. E vão assim, dormindo apenas se desmaiar de cansaço, comendo quando a fome aperta, bebendo muito além da conta (se é que existe uma conta aceitável), fazendo muito sexo e dando muito beijo na boca. Usando e abusando de tudo e de todos de acordo com a conveniência. E a multidão vai, alucinada, tratando pessoas como objetos ou mercadorias e correndo atrás de suas canções pagãs que, conduzem a massa com os seus cortejos carnais. Feito zumbis, seguem com os rostos desfigurados pelo oportunismo do anonimato, obedecendo cegamente as ordens dos seus sacerdotes que pregam o que todos querem ouvir, que comandam a todos de cima dos trios elétricos, para desfrutar dos prazeres transitórios, do lança-perfume, do "eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também" e de "o que importa é curtir até a última gota de energia". É o reino dos prazeres, o império dos sentidos, o fim dos limites, a morte da razão. É como já diziam os versos do poeta popular: "carnaval é tomar banho no chuveiro da ilusão". É a manipulação do inconsciente coletivo que encontra acolhida nos ouvidos ávidos pela palavra de ordem que estabeleça o estado do vale tudo.


Esta festa profana tem estatísticas aterradoras. Dos mortos nas estradas brasileiras nesses dias, a maior parte foi provocada por ingestão de bebidas alcoólicas. A grande maioria dos homicídios tem suas vítimas entre 15 e 25 anos de idade e, durante o carnaval, as vítimas crescem assustadoramente. O carnaval é o período de maior movimento do tráfico de drogas e da propagação de doenças veneras, inclusive a AIDS.


Quantos jovens e adolescentes são iniciados nas drogas ou em tantos outros vícios? Quantos abortos acontecerão na semana seguinte, no mês seguinte? Quantas mortes por overdose? Quantos casamentos desfeitos? Quantos mortos, vítimas de balas perdidas que encontram suas vítimas em golpes certeiros? Quantos mortos em brigas de bêbados? Aliás, só para perguntar, há alguma coisa boa no carnaval?

É triste constatar que as pessoas fazem durante o carnaval o que não têm coragem de fazer nos outros dias do ano. E mais triste ainda é saber que muitos cristãos participam desse verdadeiro culto ao prazer. O prazer é o deus do carnaval. Vale tudo para alcançá-lo, mesmo que por um momento, mesmo que a pesada conta seja apresentada depois.


Posição do cristão e da igreja no período do carnaval


Como pudemos observar, o carnaval tem sua origem em rituais pagãos de adoração a deuses falsos. Trata-se, por isso, de uma manifestação popular manchada de obras da carne, condenadas claramente pelas Sagradas Escrituras. Seja no Egito, Grécia ou Roma antiga, onde se cultua, respectivamente, os deuses Osíris, Baco ou Saturno, ou hoje em São Paulo, Recife, Porto Alegre ou Rio de Janeiro, sempre notaremos bebedeiras desenfreadas, danças sensuais, música lasciva, nudez, liberdade sexual e falta de compromisso com as autoridades civis e religiosas.


É realmente impressionante como alguns cristãos conseguem participar tão confortavelmente, como se fossem de casa, de uma festa em que a influência demoníaca é tão densa, tão direta e tão óbvia. Eu fico me perguntando se poderia passar pela cabeça de algum cristão alguma simpatia por essa festa chamada de festa da carne. O carnaval é uma festa que Deus não participa. É a festa da carne que conspira contra o Espírito. É uma festa em que a influência do Espírito Santo não está. É uma festa que celebra a ausência de Deus e da influência do Espírito.


O carnaval tem o seu deus. O deus do carnaval é o hedonismo, a busca do prazer como razão maior. O carnaval legitima tudo o que ofende a Deus. E o deus do carnaval não é um deus neutro. Não dá para participar sem se envolver e sem ser contaminado. Ele é, na verdade, um deus rival que disputa com o nosso Deus, o nosso coração. E qualquer pessoa que se dobre diante de um deles não poderá se dobrar diante do outro. O nosso Deus exige exclusividade absoluta. Ele não aceita corações divididos. Ele só aceita se for 100%. Nós não devemos concordar de modo algum com essa comemoração que na verdade é em homenagem a um falso deus, patrono da orgia, da bebedice e dos excessos.


Então, qual deve ser a posição do cristão diante do carnaval? Devemos sair de cena para um retiro espiritual, conforme o costume de muitas igrejas, a fim de não sermos participantes com eles (Ef.5.7)? Devemos, por outro lado, ficar aqui e aproveitarmos a oportunidade para a evangelização? Ou isso não vale a pena porque, especialmente neste período, o deus deste século lhes cegou o entendimento (2 Co.4.4)?


Creio que a resposta cabe a cada um. Mas, por outro lado, a personalidade da igreja nasce de princípios estreitamente ligados ao seu propósito: fazer conhecido ao mundo um Deus que, dentre muitos atributos, é Santo.


Há quem justifique como estratégia evangelística a participação efetiva na festa do carnaval, desfilando com carros alegóricos e blocos evangélicos, o que é uma tremenda associação com a profanação. Pergunta-se, então: será que deveríamos freqüentar boates gays, sessões espíritas e casas de massagem, a fim de conhecer melhor a ação do diabo e investir contra elas? Ou deveríamos traçar estratégias melhores de evangelismo?


Assim, devemos lançar mão da sabedoria que temos recebido do Senhor e optar pela melhor atividade para a nossa igreja nesse período tão sombrio que é o carnaval. A igreja jamais pode ser omissa quanto a esse assunto. O cristão deve ser sábio ao tomar sua decisão, sabendo que: Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus (Ef 2.2-6).


Conclusão


O carnaval é um exemplo real da sobrevivência do paganismo, com todos os seus elementos presentes. É a explicita manifestação das obras da carne: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes. O apóstolo Paulo declara inequivocamente que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (Gl 5.19-21).


No carnaval de hoje, são poucas as diferenças das festas que o originaram; continuamos vendo imoralidade, música lasciva, promiscuidade sexual e bebedeiras. Como cristãos, não podemos concordar e muito menos participar de tal comemoração, que vai contra os princípios claros da Palavra de Deus: Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito (Rm 8.5-8). Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus (1 Co 6.20).


Neste período de carnaval, onde muitas pessoas estarão entregues a carne e suas paixões, vamos orar para que Deus se compadeça de nossa nação, especialmente dos grandes centros urbanos, onde milhões de vidas estarão se entregando a uma festa aparentemente alegre, mas cujo fim , sem dúvida é caminho de morte.


Talvez você não concorde comigo, mais veja o que diz a palavra de DEUS:


  • "Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o ESPÍRITO para as coisas do ESPÍRITO. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do ESPÍRITO é vida e paz. (Rm. 8:5-6).

Você pode está se perguntando a inclinação da carne leva a morte? De que morte ele está falando? Estou falando da morte eterna; o homem morre quando permanece longe de DEUS, e o que afasta o homem de DEUS é o pecado, que é manifesto justamente pelas obras da carne. E vivendo na prática do pecado, ou seja, se inclinando para a carne não poderá herdar a vida eterna que DEUS em JESUS CRISTO preparou para nós.


Temos um texto na Palavra de Deus que nos explica com muita clareza esse assunto:


  • "Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a cerca das quais vos declaro, como já, antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de DEUS. (Gl. 5:19-20)."

O que você acabou de ler está presente na festa da carne (carnaval), e todas essas praticas e também as que são semelhantes a essas nos afastam de DEUS, ou melhor, nos tornam inimigos de DEUS.


  • "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra DEUS, pois não é sujeita à lei de DEUS, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a DEUS. (Rm. 8:7-8)".


Para o verdadeiro cristão o carnaval não tem lugar em sua agenda. A Palavra de Deus revela claramente a necessidade de se combater, tudo àquilo que provoca a ira de Deus e recomenda a viver uma vida de estreita comunhão com o seu Senhor (Cl.3.1-15). E isso, eu creio, termina com qualquer discussão sobre participar desta profana, maligna e depravada festa da carne.


No Amor e na Graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo,


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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Maldição Hereditária

A Verdade Sobre a Quebra de Maldições

Quando navego pelo Orkut ou em fóruns de debates, observo que nas comunidades evangélicas - e isto também ocorre em nossas igrejas - pessoas com posições firmes e bíblicas não são bem-vindas. Alguns chegam até a ridicularizá-las. Noto, ainda, que boa parte das pessoas inicia respostas a questões fundamentais para a vida cristã da seguinte forma: "Eu acho que", e não: "Na Bíblia está escrito que". Isso é um sintoma perigoso. Não escrevo para agradar ou atacar pessoas. Talvez alguns gostem dos meus textos, e outros odeiem, contudo, a Bíblia vai continuar sendo a verdade, haja o que houver (1Pd 1.24-25).

Existe maldição hereditária? Não! Porém, esse falso ensinamento tem sido propagado como verdadeiro e seguido por crentes incapazes de exercer discernimento devido à falta de conhecimento bíblico. O evangelho de Cristo é simples: basta crer em Jesus, confessá-lo como Senhor (Rm 10.9-10), permanecer nEle (Mt 24.13 e 1Co 15.1-2) e viver em santificação (Hb 12.14), a fim de ser salvo e participar das bênçãos que acompanham a salvação (Hb 6.9). No entanto, há enganadores querendo complicar a simplicidade do evangelho (2Co 11.3-4). Somente Cristo, por meio de Sua Graça, liberta o ser humano. Não são necessárias fórmulas e receitas para alguém se libertar de supostas maldições hereditárias. Os propagadores da maldição hereditária costumam mesclar conceitos e métodos psicoterápicos com a Bíblia. No entanto, a chamada "psicoterapia cristã" é um jugo desigual (2Co 6.14). Quem cura o nosso íntimo, libertando-nos do passado, é o Senhor Jesus (Jo 8.32,36 e Lc 4.18).

O ensino das "maldições hereditárias", conhecida também como "maldição de família" ou "pecado de geração" é uma "droga espiritual" que está sendo disseminada através da televisão, rádio, literatura e seminários nas igrejas. Os pregadores da maldição afirmam que se alguém tem algum problema relacionado com alcoolismo, pornografia, depressão, adultério, nervosismo, divórcio, diabete, câncer e muitos outros, é porque algum antepassado viveu aquela situação ou praticou aquele pecado e transmitiu tal pecado ou maldição a um descendente, ou surge em decorrência de um trabalho de feitiçaria ou de qualquer outra ação maligna lançada contra outra pessoa (a vítima). Uma pessoa em sofrimento pode ter sido "consagrada", antes ou depois do seu nascimento, às entidades demoníacas. Uma palavra má pode ter sido lançada sobre a vida de uma família, que nunca prosperará e será vítima de enfermidades e angústias. Os que defendem a existência de crentes amaldiçoados por maldições provindas de antepassados, admitem que é possível estarmos de posse de uma herança maldita, por nós desconhecida, e difícil de ser detectada no tempo e no espaço, e o "remédio" seria "quebrar", "anular", "amarrar", "repreender" essa maldição, orando a Deus a fim de que lhe seja "revelado" qual é a geração no passado que o está afetando. Uma vez que se saiba qual, pede-se perdão por aquele antepassado ou pela geração revelada e o problema estará resolvido, isto é, estará desfeita a maldição.

Não há nenhuma base bíblica e teológica para as definições e práticas da maldição hereditária. Defensores dessa heresia usam versículos da Bíblia tirando-os do contexto, manipulando-os e adulterando o sentido da Palavra de Deus, e, para apoiar a sua doutrina insustentável biblicamente, usam um grande número de supostos testemunhos, com interpretações subjetivas e falaciosas. É impossível conciliar a "Teologia da Maldição Hereditária" com a Santa Palavra de Deus.

É mentira que a maldição de outra pessoa, conseqüência dos seus pecados, seja transmitida como herança a seus familiares; cada um dará conta do seu pecado. "Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus." Rm 14.12. Alguns defensores da heresia em análise têm afirmado que o simples fato de alguém ter recebido de seus pais um nome com significado negativo resulta em uma vida de derrota! Se alguém se chamar Maria das Dores, precisa quebrar essa maldição e se apresentar com outro nome! Quanta invencionice! Os pais têm grande influência na formação espiritual dos filhos, mas o milagre da salvação é obra de Deus, e é pela graça que somos salvos (Ef 2:8, 9). É o Espírito Santo, o Consolador, quem convence o coração do pecado, da justiça e do juízo, como o próprio Senhor Jesus disse (Jo 16:7, 8). Paulo relatou aos gálatas que foi Deus quem lhe revelou seu Filho (Gl 1:15, 16). Assim, a salvação é uma revelação de Jesus Cristo em nossos corações, e não algo decidido somente pelos pais. É verdade que os filhos que repetem os pecados de seus pais têm toda a possibilidade de colher o que seus pais colheram. Os pais que vivem no alcoolismo têm grande possibilidade de ter filhos alcoólatras. Os que vivem blasfemando, ou na imoralidade e vícios, estão estabelecendo um padrão de comportamento que, com grande probabilidade, será seguido por seus filhos, pois "aquilo que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6:7). Isso poderá suceder até que uma geração se arrependa, volte-se para Deus e entre num relacionamento de amor com ele através de Jesus Cristo, cessando aí toda a maldição.

Se precisamos quebrar maldições de antepassados, para que serve a nossa santificação diária (Hb 12.14)? E os erros que cometemos, eles se devem a fatores hereditários? Por que a Bíblia diz: "Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos" (Cl 3.9)? Que culpa tenho eu se meu avô foi um mentiroso inveterado? Ora, tenho de lutar é contra a minha própria natureza (Hb 12.4 e Gl 5.17)! Portanto, que tal seguir à Bíblia? Ela diz: "... nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus...", Rm 8.1. E: "... se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo", 2Co 5.17.

A Bíblia ensina uma responsabilidade individual pelo pecado, como pode ser observado no livro do profeta Ezequiel: "Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, jamais direis este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18:1-4). Seria o mesmo que afirmar nos dias atuais: os pais comeram açúcar e os dentes dos filhos criaram cárie. Tem se tornado um costume colocar a culpa dos fracassos pessoais nos antepassados ou em outros. Isso faz lembrar o que aconteceu no jardim do Éden, quando, por ocasião da Queda, o homem colocou a culpa na mulher e a mulher na serpente. Parece ser próprio do ser humano não admitir seus erros, buscando evasivas para não tratá-los de forma responsável à luz da Palavra de Deus. Infelizmente, alguns acham mais fácil culpar os antepassados do que enfrentar suas tentações.

O ensino da maldição de família escraviza e não liberta. Até crentes que há vários anos viviam alegres, evangelizando, servindo ao Senhor e dando frutos, agora estão preocupados, deprimidos, pensando que talvez as tentações, as dificuldades e lutas pelas quais estão passando na vida sejam de fato reflexo de pecados ou do comportamento dos seus ancestrais. Ora, todo cristão é tentado, de uma forma ou de outra. Se um cristão enfrenta problemas em relação à pornografia, ao alcoolismo, ao adultério, à depressão ou a qualquer outro aspecto ligado às tentações, os métodos para vencer tais lutas devem ser bíblicos. O caminho para a vitória tem muito mais a ver com a doutrina da santificação, com o cultivo da vida espiritual através da oração, do jejum, da comunhão com a Igreja e do contato constante com a Palavra de Deus. O ensino da quebra de maldições hereditárias aparece como um atalho mágico e ilusório para substituir o caminho árduo da santificação, que é um processo diário e constante na vida do cristão, exigindo dele autodisciplina e perseverança na fé. Um outro aspecto incorreto desse ensino é confundir as doenças transmitidas por herança genética com maldições hereditárias espirituais. O Senhor Jesus nunca ensinou tal doutrina. Quando perguntado sobre o cego de nascença: "Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?", ele respondeu: "Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus" (Jo 9:2-3). Jesus destruiu qualquer superstição ou crença que os discípulos pudessem ter de que a cegueira fora provocada pelos pecados de seus antepassados, e o próprio Jesus nunca ensinou tal doutrina.

Tais heresias não encontraram espaço também nos escritos do apóstolo Paulo. Ao contrário, quando escreveu aos Coríntios pela segunda vez, declarou com muita certeza: "E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2 Co 5:17). Aos Efésios, ele afirma: "Bendito o Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo" (Ef 1:3). Onde existe espaço para maldições na vida de um cristão diante de uma declaração como esta? Paulo não se deixou prender ao passado. Quando escreveu aos crentes de Filipos, declarou: "Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma cousa faço: esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fp.3:13, 14).

Os pregadores da maldição hereditária não deveriam pedir perdão pelos pecados da décima, nona, oitava ou de qualquer outra geração, mas deveriam, sim, pedir perdão pelos pecados de Adão e Eva, pois se houve brecha, foi ali, na queda do jardim do Éden, onde as maldições tiveram início. Ali está a raiz do problema. Isso, sim, seria um trabalho perfeito e completo. O leitor já imaginou se funcionasse? De repente, ninguém mais precisaria trabalhar para ganhar o pão, a mulher não sofreria mais ao dar à luz e os espinhos desapareceriam da Terra. É claro que não funciona, pois tal ensino não tem base na Palavra de Deus. O pecador que pela sua natureza decaída já gosta de arrumar desculpas para os seus pecados lançando ou transferindo a sua culpa para outros, encontra nesta teoria diabólica um meio fajuto de aliviar sua consciência por lançar sua própria culpa sobre os outros. Adão, após a queda, transferiu sua culpa para Eva, e Eva, para a serpente (Gn 3).

Outra mentira é dizer que as palavras de maldição têm poder em si mesmas. As palavras dos amaldiçoadores são como eles próprios: "vento" (ocas, vazias ou sem poder em si mesmas), porém voltarão para eles como um bumerangue, pois quem deseja o mal aos outros está desejando para si mesmo. - "Até os profetas não passam de vento, porque a palavra [de Deus] não está com eles; as suas ameaças [maldições] se cumprirão contra eles mesmos." Jr 5.13. Aqueles que amaldiçoam o seu próximo estão ignorantemente se colocando em curso de colisão com a própria maldição que proferem, não porque as suas palavras tenham poder em si mesmas, mas porque Deus os fará colher a maldição que está plantando para outros. "Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois tudo aquilo que o homem semear também ceifará." "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam assim fazei-o vós a eles." (Gl 6.7; Mt 7.12).

Ainda é mentira dizer que o homem tem a prerrogativa de autorizar o diabo a cumprir maldição de suas palavras na vida de outros. Aqui há uma inversão conceitual, pois conforme a Bíblia é a humanidade que "jaz no maligno" e não "o maligno jaz na humanidade". O mínimo que um homem pode fazer é "dar lugar ao diabo" em sua própria vida, ou seja, fazer ou dizer coisas que darão progressivo controle de Satanás sobre sua vida. Porém, a Bíblia nunca diz que podemos autorizar o diabo a executar maldições na vida de outros. (1Jo 5.19; Ef 4.27). Essa definição veio da feitiçaria e da bruxaria. Na feitiçaria lançar feitiço equivale a lançar malefício ou maldição de feiticeiro.

Conclusão - A Conversão é a Solução!

Arrependimento, e não quebra de maldição - Em vez de ficar procurando um bode expiatório no passado para lançar a culpa do pecador, deve-se seguir o processo bíblico de levar o pecador a assumir pessoalmente toda a culpa por seu comportamento pecaminoso, iniciando assim um processo genuíno de arrependimento e restauração.

Ensinar que um cristão tem que romper com maldições ou pactos dos antepassados pedindo perdão por eles é minimizar o poder de Deus na conversão. Isso é espiritismo ou mormonismo (com sua doutrina antibíblíca do batismo pelos mortos) e não cristianismo. A Bíblia declara com muita ousadia: "Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hb 7:25). O advérbio "totalmente" (panteles, no grego) tem o sentido de pleno, completo e para sempre. Jesus não salva em prestações, mas de uma vez por todas.

Inspirado pelo Espírito Santo, Paulo escreveu aos irmãos de Corinto, na sua primeira carta, uma palavra tremendamente elucidativa quanto a esta questão: "Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus" (1 Co 6:9-11; leia também Gl.5:17-21). Pode-se notar que Paulo não afirmou no versículo onze: "Mas haveis quebrado as maldições hereditárias, mas haveis pedido perdão pelos pecados dos antepassados" ou algo similar. Não, de modo algum, este não é o seu pensamento. Paulo afirma que aqueles que estiveram presos nos pecados haviam sido lavados, haviam sido santificados e justificados, sem qualquer necessidade de quebrar maldições dos antepassados.

Cabem aqui algumas perguntas: Qual é a maior das maldições? Sem dúvida é estar fora de Cristo. Qual a maior das bênçãos? Certamente é o estar em Cristo. Como se elimina a maior das maldições? Introduzindo a maior das bênçãos. As pessoas sem temor a Deus, sem vida em Cristo, estão sujeitas a problemas muito maiores do que esses, pois estão condenadas à morte eterna. Sem Cristo a maldição nunca acaba. Vejamos quais as promessas para os que aceitarem a salvação que há em Cristo Jesus: Morremos para o mundo e para o pecado, mas não teríamos morrido para possíveis maldições sobre nós lançadas? A cruz nos salvou da maldição da lei, mas o sangue de Jesus teria sido impotente para nos livrar de maldições hereditárias? Fica difícil de imaginar que uma pessoa beneficiária de tantas bênçãos possa carregar sobre si o fardo das maldições. A solução para livrar-se delas é aceitar a salvação que há em Cristo Jesus. As maldições não alcançarão os justos, porque os muros de nossa fortaleza espiritual estão íntegros, sabendo-se que "a maldição sem causa não virá" (Provérbios 26.2). Aos que se julgam debaixo de maldição, Jesus faz um convite e uma promessa: "Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei" (Mateus 11.28).

(compilado)

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