sábado, 29 de março de 2008

O Testemunho da Igreja Cristã Histórica sobre a cessação dos dons

O testemunho de muitos influentes pregadores, teólogos e comentaristas da história da igreja cristã, com respeito ao desaparecimento dos dons milagrosos da era apostólica, resultam ser um fator de considerável importância, especialmente quando temos homens poderosamente usados pelo Espírito para o despertamento de continentes inteiros a fé cristã, pessoas a quem seria impossível acusá-los de terem entristecido o Espírito Santo.

1. João Crisóstomo (347-407 d.C.) - "Este lugar está completamente obscuro. A obscuridade provém de nossa ignorância dos atos referidos e por sua cessação, sendo que esse então ocorriam, mas agora não mais acontecem". Fonte: Homilias sobre a 1ª aos corintios, vol XII, os pais niceno e pós niceno. Hom 29:2.

2. Agostinho (354-430 d.C.) - "No período primitivo, o Espírito Santo caiu sobre quem cria e falava em línguas que jamais havia aprendido. O Espírito concedia-lhes que falassem, e estes eram sinais adaptados a época, pois precisava haver aquela evidência do Espírito Santo em todas as línguas, e mostrar que o evangelho de Deus havia de correr através de todas as línguas sobre a terra. Aquele fato foi feito com evidência e passou". Fonte: Dez homilias sobre 1ª epístola de João, vol. VII. Os pais nicenos/pós niceno, VI. 10.

3. João Calvino (1597) - "Pois não há demonstração em nossos olhos de todas aquelas virtudes e dos demais milagres que eram operados pelas mãos dos apóstolos; e a razão é que estes dons eram temporais". Fonte: As Institutas da Religião Cristã, Vol.2, pg. 1154.

4. Thomas Watson (1660) - "Com plena certeza, há tanta necessidade de ordenação hoje, como nos tempos de Cristo e dos apóstolos; naquele tempo havia dons extraordinários nas igrejas que agora cessaram". Fonte: As bem-aventuranças, 14.

5. John Owem (1679) - "Os dons que em sua natureza excedem a plenitude do poder de todas as nossas faculdades, essa dispensação cessou e onde quer que alguém hoje tenha pretensão ao mesmo, tal pretensão justamente pode ser suspeita como engano farsante". Fonte: Obras, IV, 518.

6. Matthew Henry (1712) - "O dom de línguas foi o novo produto do espírito de profecia e era concedido por uma razão particular, para que as oportunidades judia sendo removidas, todas as nações puderam ser incluídas na igreja. Estes e outros dons de profecia sendo um sinal há muito tempo cessado e foram postos de lado e não temos motivo algum para esperar reavivê-los, ao contrário se nos manda chamar a Escritura a palavra profética mais segura que vozes do céu, e ela que nos exortam a estar atentos a esquadrinhá-la e retê-las" - 2ª Pedro 1.19. Fonte: Prefácio ao vol IV de sua exposição do AT e NT VII.

7. Jonathan Edwards (1738) - "Dos dons extraordinários foram dados para por fundamento e estabelecer a igreja no mundo. Mas assim que o Cânon da Escritura ficou completo, e a igreja plenamente fundada e estabelecida, estes dons extraordinários cessaram". Fonte: A caridade e seus frutos, 29.

8. George Whitefield (1825) - a. Devido ao seu freqüente testemunho sobre a Pessoa e poder do Espírito, foi acusado de entusiasta por parte de alguns líderes eclesiásticos que falaram que ele tinha revivido os dons apostólicos. Esta crença foi negada firmemente por Whitefield que disse que nunca pretendeu ter estas operações extraordinárias de operar milagres ou de falar em línguas. b. Ele culpa o bispo e clero de Lichfield e Coventry por não distinguir a obra ordinária e extraordinária do Espírito e por considerarem que ambas haviam cessado. Dizia que a habitação interior do Espírito, seu testemunho interno, a pregação e a oração pelo Espírito, estava entre os dons carismáticos, os dons milagrosos conferidos a igreja primitiva e os quais a muito tempo deixaram de ser. c. Os amigos de Whitefield também o defenderam contra a mesma acusação. José Smith, pastor congregacional da Carolina do Sul, escreveu sobre o evangelista inglês: "ele renunciou a toda pretensão de possuir os extraordinários poderes e sinais dos apóstolos, peculiares a era da inspiração e que desapareceram com eles". Fonte: Resposta ao bispo de Londres, Obras IV, 9. Segunda carta ao bispo de Londres, Obras IV, 167. Em prefácio aos sermões sobre assuntos importantes, George Whitefield, 1825, XXV.

9. James Buchanan (1843) - "Os dons milagrosos do Espírito há muito que foram retirados. Foram usados para cumprir um propósito temporal, como um andaime que Deus usou para construção do templo espiritual. Quando o andaime não teve mais necessidade foi removido, mas o templo permanece em pé e é habitado pelo Espírito de Deus - 1 Co 3.16". Fonte: O oficio e obra do Espírito Santo, 34.

10. Charles Haddon Spurgeon (1871) - a. Em uma quantidade de sermões testifica este mesmo ponto de vista. "Os apóstolos pregavam e foram homens escolhidos como testemunhas, porque pessoalmente havia visto o Salvador, um ofício que necessariamente desaparece apropriadamente, porque o poder milagroso também se retira". b. Não podemos esperar nem necessitamos desejar os milagres que acompanharam o dom do Espírito. As obras do Espírito que hoje são concedidos a igreja de Deus são em todo sentido tão valiosos como aqueles dons milagrosos anteriores que desapareceu da nossa presença. A obra do Espírito Santo mediante o qual os homens recebem vida de sua morte em pecado, não é inferior ao poder que capacitou os homens a falar em línguas". Fonte: O Púlpito do Tabernáculo Metropolitano, 1871, Vol. 17, 178. O Púlpito do Tabernáculo Metropolitano, 1881, Vol. 27, 521. O Púlpito do Tabernáculo Metropolitano, 1884, Vol. 30, 386 ss.

11. Roberto L. Dabney (1876) - "Logo que a igreja primitiva foi estabelecida não existia a mesma necessidade de sinais sobrenaturais, e Deus o extinguiu. Desde então, a igreja tenta conquistar a fé do mundo mediante o exemplo e ensinamento somente, vigorizada pela iluminação do Espírito Santo". Fonte: A pregação, um erro, Discussões Evangélicas e Teológicas, Vol. 2, 236-237.

12. George Smeaton (1882) - "Os dons sobrenaturais extraordinários foram temporais e haviam de desaparecer quando a igreja estivesse fundada e o Cânon inspirado da Escritura concluído; porque eles foram uma prova externa de uma inspiração interna". Fonte: A doutrina do Espírito Santo, 51.

13. Abraham Kuyer (1888) - "Muitos dos dons carismáticos concedidos a igreja apostólica não são de utilidade para a igreja de hoje". Fonte: A obra do Espírito Santo, 182, ed. ingl. 1900.

14. W.G.T. Shedd (1888) - "Os sobrenaturais dons de inspiração e milagres que possuíram os apóstolos não foram continuados para seus sucessores ministeriais, posto que não era necessário. Todas as doutrinas do cristianismo haviam sido reveladas aos apóstolos e tinham sido entregues a igreja de forma escrita. Não havia mais necessidade de posterior inspiração infalível. E as credenciais e autoridade dadas aos primeiros pregadores do cristianismo em atos milagrosos não requerem repetição continua de uma era a outra. Uma era de milagres devidamente autenticada é suficiente para estabelecer a origem divina do evangelho". Fonte: Teologia Dogmática, Vol II, 369.

15. Benjamin B. Warfield (1918) - "Estes dons foram autenticação dos apóstolos, constituem em parte as credenciais dos apóstolos em sua qualidade de agentes autorizados de Deus na colocação do fundamento da igreja. Sua função limitou a igreja apostólica, de maneira distintiva e necessariamente desapareceu com ela". Fonte: Milagres falsos, 6.

16. Arthur W. Pink (1970) - "Assim como houve muitos ofícios extraordinários (apóstolos e profetas) no começo da era cristã e, também muitos dons extraordinários, como não houve sucessores designados, os dons cessaram porque dependiam dos ofícios. Não teremos mais os apóstolos como agentes e, por conseguinte os dons sobrenaturais e comunicação dos quais constituem parte essencial dos sinais dos apóstolos". Fonte: O Espírito Santo, 179.

17. Walter J. Chantry (1990) - "Segundo Paulo os dons espirituais cessariam no futuro; todavia, quando João escreveu Apocalipse, os dons se tornaram coisas do passado". Fonte: Sinais dos Apóstolos, cap. 5, pg 65.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Unção com óleo

Tiago, uma das colunas da Causa de Deus em Jerusalém (Gal. 2.9), em sua epístola, capítulo 5, verso 14, orientava os cristãos dos seus dias a chamar os presbíteros da Igreja, no caso de doença, orar sobre a pessoa, ungindo-a com óleo. Esta passagem bíblica tem sido mal interpretada ao longo dos tempos. Um dos desvios de interpretação de unção, muito em voga hoje, é o sacramento da extrema unção, usado pela Igreja Católica Romana, ministrado às pessoas que estão para morrer.


Nos meios evangélicos, cresce hoje a prática de ungir doentes com óleo, como um ato carismático. Neste sentido, alguns líderes até exageram, vendendo óleo bento e fazendo deste ato uma deslavada exploração do povo, já tão sofrido com tantos enganos.


Qual é o ensino da Bíblia sobre unção? Qual é o verdadeiro sentido do texto de Tiago? O que o texto original, em que foi escrito o Novo Testamento quer realmente dizer? É o que nos propomos responder nesta mensagem.


Como a Bíblia explica o assunto


Como já vimos acima, há dois tipos principais de unção na Bíblia. O primeiro, é o da unção cerimonial. Esta é a unção formal de um Sacerdote ou de um Rei. Em Êxodo 28.41, temos as instruções para a consagração e unção do sacerdote Arão. Em 1 Samuel 16.3,12, temos a unção de Davi como Rei de Israel. A idéia desse tipo de unção é de separação e consagração, isto é, dedicação da pessoa a determinada tarefa. Derramado sobre a cabeça da pessoa, o óleo cobre o corpo. A idéia é de revestimento de poder e autoridade. A unção desse tipo é sempre ordenada por Deus. O verbo grego correspondente ao hebraico nesse tipo de unção é "Chrio", uma palavra cognata de Christós, que deu origem ao nome Cristo. Portanto, a palavra "Cristo", significa: O Ungido, o Separado por Deus para um ministério especial. Por isso, o nome dEle é Jesus, o Cristo.


Um outro tipo de unção, é o terapêutico, curativo. Há dois exemplos muito claros sobre isso na Bíblia. O primeiro, está no profeta Isaías 1.6. Diz assim: "Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem nenhuma delas amolecida com óleo". Era muito comum o uso de óleo para inchaços e feridas de diversos tipos; machucados, cortados e qualquer tipo de ferimento.


O segundo texto bíblico muito interessante neste sentido, é o do Bom Samaritano, registrado em Lucas 10.34, em que o viajante amigo, encontrando aquele homem ferido, derramou óleo sobre os ferimentos. Era um expediente terapêutico, curativo; era o uso do óleo como remédio (Luc. 10.25-37).


E é exatamente no sentido terapêutico, de tratamento com remédio, que Tiago usa o verbo "ungir". O verbo "ungir" aqui em Tiago 5.14, é "Aleipho", que quer dizer "friccionar, aplicar sobre, esfregar". É totalmente diferente da unção cerimonial para consagrar sacerdotes e reis. Portanto, não tem qualquer sentido carismático, na acepção de ter graça em si mesmo.


Curioso observar, ainda, é que, do verbo "aleipho", surgem outros cognatos, no mesmo, sentido. Por exemplo: "Exaleipho", quer dizer massagear, fazer massagens. Era o expediente usado nos atletas. Um atleta machucado ou contundido, era massageado com óleo. Daí, vem o substantivo "Aleiptes", que era o massagista, tinha a função de massagear atletas machucados. Hoje eles passam Gelol e coisas semelhantes.


Toda esta argumentação exegética pode ser encontrada no livro Conselheiro Capaz, de Jay e. Adms, pp. 11/112. Esta é a melhor explicação que se pode encontrar sobre o assunto.


O que quer dizer, então, Tiago com a expressão "ungir com óleo"? Ele quer dizer que se deve usar o óleo como remédio, acompanhado de oração. E sobre o uso de remédio na Bíblia, o assunto é pacífico. Cito apenas dois exemplos: o primeiro é do Rei Ezequias, registrado em 2 Reis 20.1-7. Doente, o Rei recebeu notícia da parte de Deus, pelo profeta Isaías, de que morreria. Ele virou-se para o canto da cama e orou fervorosamente ao Senhor. O Senhor atendeu a oração do Rei. Isaías ainda estava no pátio do palácio, quando a Palavra do Senhor veio a ele, ordenando-lhe que anunciasse ao Rei que lhe eram concedidos mais 15 anos de vida. E, curiosamente, o profeta ordenou que se pusesse uma pasta de figos sobre a chaga. E o Rei sarou. Aqui está claro, portanto, o uso de remédio, acompanhado de oração e da vontade de Deus.


Um segundo exemplo, está em 1 Tim. 5.23, onde Paulo recomenda a Timóteo que não beba água pura, mas com um pouco de vinho, por causa de suas freqüentes dores de estômago. Era remédio também.


Conclusão


Há mais algumas considerações muito importantes sobre o assunto. Primeiramente, é sobre os tipos de doenças daquele tempo. Nota-se que o homem ultrajado na estrada de Jericó e atendido pelo Bom Samaritano, estava com ferimentos e hematomas, como resultado de pancadas. O remédio indicado naquele tempo era, portanto, o óleo. Ezequias, conforme o texto nos informa, estava com uma chaga, um tipo de ferida inflamada. Não sabemos se havia certos tipos de doenças que temos hoje. Para as doenças daquele tempo, havia um remédio muito comum: o óleo de oliva, que ainda hoje é muito rico em propriedades curativas.


Um famoso escritor, Sholem Asch, diz que Tiago pertencera, antes de ser cristão, à seita dos Essênios. Era uma seita que vivia nos desertos e muito cuidadosa com o corpo, com a higiene e com a saúde. E Tiago era uma espécie de farmacêutico. Andava sempre com um frasco de óleo pendurado no cinturão, para aplicar remédios nas pessoas doentes. Convertido ao cristianismo, naturalmente passou a somar a oração da fé ao uso do remédio.


A segunda consideração é que os oficiais da igreja deveriam aplicar o óleo. Notamos que Tiago transportava para o cristianismo a idéia do Velho Testamento sobre o papel do líder religioso no tratamento das doenças. No Velho Testamento, o sacerdote era quem cuidava das doenças. Aliás, este costume já vinha das religiões pagãs, em que os sacerdotes eram uma espécie de médico. Notamos pelo Pentateuco, por exemplo, que cabia ao sacerdote examinar os problemas de lepra.


Desta forma, Tiago passava para os oficiais da igreja o papel de ministrar o remédio. No entanto, não há dúvida de que o ato de ministrar o óleo era para fins de remédio, que deveria ser acompanhado pela oração da fé. Não era um ato meramente carismático. Era um ato terapêutico, medicinal.


A terceira consideração é que Jesus nunca mandou ungir enfermos com óleo. Ele recomendou, isto sim, que os apóstolos enviados curassem os enfermos. E é certo que, pelo menos uma vez, (Marcos 6.13) se tem notícia de que os apóstolos ungiam enfermos com óleo e os curavam. Evidentemente, eles o faziam dentro dos costumes correntes entre os judeus. Mas não encontramos esta recomendação específica de Jesus. Vamos ver Jesus envolvido com outro tipo de unção, que é o de bálsamo, artigo de perfumaria; vamos vê-lo falando da unção como ato de dignidade para um visitante, mas não vamos encontrá-lo falando de unção de enfermos.


Por outro lado, dos escritores do Novo Testamento, só Tiago faz esta recomendação. Como já explicamos, isto fazia parte da experiência de Tiago como um tipo de enfermeiro ou farmacêutico.


Cremos, portanto, que não há fundamento bíblico em se usar óleo e, muito menos, vender óleo bento para curar enfermidades. Hoje, Deus nos deixou maravilhosos remédios e recursos médicos para as muitas doenças novas que vão surgindo. E, com oração, fé e aplicação de remédios segundo a vontade de Deus, estaremos cumprindo os ensinos da Palavra de Deus.


www.obereano.blogspot.com

terça-feira, 25 de março de 2008

O circo gospel chegou!!

Respeitável público!! Venha ver a menor cantora do mundo!! Não deixe de assistir ao show do pregador anão!! Não perca o homem que não tem ouvidos e ouve!! Venha ouvir a menininha de 3 anos que já é pregadora!! Venha ver o homem que tem 8 balas de revolver no corpo!! Assista ao homem que prega plantando bananeira!!


Que a igreja dita evangélica no país já tinha assumido a sua postura de pão e circo, eu já sabia e isso era evidente há algum tempo, mas que ela, a igreja, havia assumido o papel de circo real é algo que tem me deixado impressionado.


A cada dia que passa, nosso cardápio de atrações aumenta, na busca incessante de público para os nossos cultos-espetáculos. A Palavra deixou de ser pregada faz tempo, o louvor se tornou a repetição de frases-chavões durante longos minutos catársicos de uma coletividade doentia e reprimida, Deus passou de receptor do culto para um simples instrumento de manipulação de massa e cobrador dos impostos eclesiásticos que o pecador tem que pagar para alcançar a benção.


Voltando ao começo, é triste ver a igreja brasileira caminhando para esse circo de horrores. A indústria dos testemunhos e dos seres esquisitos para pregarem a "palavra" parece não ter fim. Ninguém quer mais ouvir um pregador sério, que diga aquilo que realmente Deus fala em sua Palavra. O povo quer espetáculo!


Se o pregador não tem um "atrativo" a mais, não serve. Tem que ser anão, ter menos de 5 anos, já ter sido quase morto em confrontos com a polícia, ex-isso, ex-aquilo, não ter língua e falar, e assim cresce a massa levedada pelo fermento dos espetáculos circenses de alcunha "gospel".


Já não satisfaz o culto verdadeiro, em espírito e em verdade, onde o louvor é comprometido com a verdade e onde a pregação nada mais é do que a exposição sincera e coerente da Palavra de Deus. Palavra? O que é isso? Nós queremos é o show!! Pagamos para isso, para vermos nossas igrejas lotadas, custe o que custar.


Muitos já me falaram que os "artistas" não são tão culpados assim, afinal são as igrejas que os "contratam", não? Sinceramente, ambos estão negociando com o evangelho. Há inegavelmente uma indústria de testemunhos e esquisitices evangélicas dominando o mercado.


No caso das crianças creio que os maiores culpados são os pais que submetem seus filhos a essa lavagem cerebral para tornarem-se desde pequenas verdadeiros "papagaios espirituais" repetindo sermões, chavões e impressionando o povo medíocre que gosta dessas coisas. O preço da fama às vezes é a perda da inocência e da infância. São pais querendo tornar filhos crianças em adultos-pregadores-sérios. Enquanto Jesus manda que os adultos façam-se como crianças...


No caso dos adultos, aí já é safadeza mesmo! É gente que quer ganhar dinheiro em cima dos crentes que não pensam, mas adoram ver as "coisas do espírito". São aproveitadores da boa-fé do povo que vive pela fé. Se tivessem compromisso real com Deus não aceitariam os holofotes sobre suas anomalias para "exaltarem" a Deus. Isso é conversa pra boi dormir. Digo sem medo... e gostaria de ver uma dessas atrações circenses do nosso meio "gospel" negar isso olhando nos meus olhos.


Quanto às igrejas que contratam, bem... desses eu já espero tudo mesmo... pois o que interessa a esses é a igreja cheia e o cofre abarrotado... o nome da igreja conhecido e o nome de Jesus diminuído... sepulcros caiados...cheios de espetáculos estarrecedores para esconderem suas anomalias reais...


Que Deus tenha misericórdia desses que negociam a fé e nos obrigam a ficarmos como palhaços nos seus enormes picadeiros eclesiásticos.


Com tristeza no coração,

José Barbosa Junior

Por que sou Batista?

Por que não coloquei "por que sou cristão?" ou por que não coloquei "por que sou religioso?" ou por que não coloquei "Por que sou um crente em Jesus Cristo?" Por que não coloquei "Por que sou evangélico?"

Os batistas não nasceram "batistas". Os batistas não fazem parte de um ramo do protestantismo (o que é confundido por todos que não conhecem a história do cristianismo no mundo). No século XVI, quando lutero publicou as famosas 95 teses e afixou-as na porta do templo católico em Wittemberg, em 1517, os anabatistas já existiam como um grupo organizado e formado em igrejas por diversos lugares da Alemanha, Suiça, Inglaterra e Holanda. Lutero, após ser expulso do catolicismo, fundou o luteranismo, enquanto Calvino e Zwinglio fundavam outro ramo do protestantismo, conhecido hoje por presbiterianos. Ambos, Lutero e Calvino, perseguiram e mataram muitos anabatistas, pelo simples fato destes não lerem pela cartilha dos protestantes.

Os anabatistas também não nasceram "anabatistas", porém levaram sobre si este "apelido", por não concordarem com o batismo infantil e não aceitarem os "sacramentos" do catolicismo (e mais tarde dos luteranos e presbiterianos) e batizarem a todos aqueles, que por livre e espontânea vontade, em sã consciência e no controle dela aceitassem a fé pregada por eles. O vocábulo anabatista, significa aqueles que batizam de novo ou repetição do batismo, porque, segundo os católicos (mais tarde Lutero, Zwinglio e Calvino), os anabatistas rebatizavam os oriundos do catolicismo. Na realidade, eles não rebatizavam, mas davam o batismo bíblico (o vocábulo batismo [baptismós, no original] significa imersão, mergulho). Nenhuma dessas denominações citadas acima mergulham o fiel em águas (elas usam a ablução e/ou a aspersão).

De lá para cá, por causa da perseguição, os anabatistas foram se espalhando e perdendo a referência inicial do nome (aliás, era o que eles mais queriam, pois não rebatizavam, mas aplicavam o batismo bíblico), porém, continuavam pregando o Evangelho do arrependimento, "que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Romanos 1.16, 17). Assim, pela pregação da Palavra de Deus, foram surgindo mais crentes em Jesus Cristo que viviam em conformidade com as doutrinas do Novo Testamento e, na Inglaterra, por volta do séculos XVI / XVII, surgiram grupos que eram perseguidos pela religião estatal(anglicanismo, de doutrina calvinista) e foram chamados de BATISTAS, pelo mesmo fato de batizarem pessoas oriundas do anglicanismo, que confessavam publicamente a nova fé (que era tão antiga quanto o NT). Dentre esses grupos surgiu um nome que até hoje é conhecido por causa de seu famoso livro "O Peregrino", John Bunyan, que ficou preso 12 anos a mando do rei da Inglaterra (período em que escreveu o seu famoso livro), por não abdicar da fé que abraçou e pregar o arrependimento e a fé em Cristo, conclamando os novos convertidos a se batizarem conforme preceitua o Novo Testamento.

Assim, ao dizer que sou batista, não estou me colocando em posição superior (nem inferior) a nenhuma outra denominação, porém, valorizo a fé que tiveram todos os que, no passado, com ou sem o nome de batistas, defenderam, até mesmo às custas da própria vida, a doutrina hoje conhecida por doutrina batista, que é conforme o Novo Testamento ensina. Por isso, ao dizer que sou batista, quero dizer que:

1. Ser batista é crer em Deus como Criador, sustentador e Senhor do universo; é crer que Deus, o Pai, através da PALAVRA - o Logos - JESUS CRISTO, Seu Filho Unigênito - o Deus Filho, criou todas as coisas no céu e na terra (Gênesis 1.1-10; Isaías 44. 6; 45. 5-7, 12; João 1.1-18; Colossenses 1.15-19);

2. É crer que a Bíblia é a Palavra de Deus, verdadeira, infalível, inerrante e que pode conduzir o ser humano à salvação;

3. Ser batista é crer que Deus enviou Seu Filho - JESUS CRISTO, ao mundo, para morrer pela humanidade e dar a Vida Eterna a todos quantos crerem e aceitarem o sacrifício do Filho de Deus em seu lugar;

4. Ser batista é crer que a Vida Eterna, dada por Deus, através da fé em Jesus Cristo, é eterna mesmo, isto é, o crente jamais perde a sua salvação (até quando dura a Vida Eterna?), pois não é o crente que vai se esforçar para manter a salvação, mas é Deus que vai garantir o poder salvador do Seu Filho como eficaz e plenamente suficiente para suprir as nossas fraquezas e fracassos (pecados). O livre arbítrio deixa de existir, pois a nossa vontade foi dominada pelo Senhor, pois a Ele nos entregamos (João 10.27-30).

5. Ser batista é crer que o ser humano tem liberdade de consciência, pensamento e ação e é livre para crer ou descrer, aceitar ou rejeitar, pertencer ou não a uma denominação religiosa;

6. Ser batista é respeitar as crenças de cada um, com direito a resposta quando atacado sem causa e com direito a defesa da fé, quando invadido em seus arraiais por doutrinas absurdas e anti-bíblicas, invenções humanas (e até diabólicas), que causam divisões na denominação;

7. Ser batista é respeitar o credo dos outros (e esperar que respeitem o nosso), cada um, na conformidade de sua doutrina, sem contudo, tentar impingir ao outro o seu modo de ser (se alguém não está satisfeito na minha denominação e não quer andar conforme as nossas doutrinas, é livre para procurar uma denominação que o acolha conforme o seu modo de cultuar, mas não podemos permitir que invadam inescrupulosamente e sem nenhum respeito à nossa fé, os nossos arraiais);

8. Ser batista é crer na independência do ser humano de ler, estudar e interpretar as Escrituras conforme a sua consciência, dentro da orientação do Espírito Santo e, com humildade, levar as suas conclusões a outros, sem contudo tentar ser "o dono" da verdade, respeitando o pensamento alheio e ajudando e sendo ajudado no estudo da Palavra de Deus, para que haja pureza na interpretação e no conhecimento e se busque a unidade na fé que compartilha na denominação da qual participa, para que não exista, assim, divisão (Efésios 4.1-16; Tiago 3.17, 18 [veja o tópico 7]).

Mas para me tornar batista, eu tive que passar por uma experiência muito importante, aliás a mais importante de todas, pois através dessa experiência singular é que se pode dizer, com toda humildade e de todo coração: EU SOU BATISTA!  Ouvi a mensagem da Palavra de Deus; ouvi que estava perdido pela eternidade; ouvi que por ser pecador incrédulo era a causa da minha perdição; e ouvi que Deus providenciou para mim uma saída única, sem a qual eu jamais poderia ser perdoado e salvo: JESUS CRISTO MORREU NA CRUZ EM MEU LUGAR; JESUS CRISTO, NA CRUZ, LEVOU SOBRE SI OS MEUS PECADOS; JESUS CRISTO RESSUSCITOU PARA  GARANTIR-ME A VIDA ETERNA. Então perguntei: "O que preciso fazer para ser salvo?" A Bíblia me respondeu: "Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para perdão de vossos pecados. e recebereis o dom do Espírito Santo." (Atos 2.38); e em Atos 4.12 diz: "E em nenhum outro há salvação, pois também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos se salvos." E Atos 15.11 diz: "Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também" (Uma nota importante: todos esses textos foram citados pelo Apóstolo Pedro).

Essa é uma experiência única, porém, cada um de meus leitores que ainda não a experimentou, poderá obtê-la pela fé no Senhor Jesus Cristo. "Pela graça sois salvos por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não vem das obras, para que ninguém se glorie."(Efésios 2.8, 9).

(procuro o autor)

Com licença: Posso continuar tradicional?

Hoje, no meio evangélico, e talvez até entre os batistas, quem quiser continuar sendo tradicional, quase tem de pedir desculpas aos chamados "contemporâneos" (me refiro aos praticantes do evangelho da pós-modernidade). Então, como pastor batista tradicional assumido (não fundamentalista, nem tradicionalista), gostaria de pedir desculpas, a quem interessa possa, pelos seguintes motivos:


1- Creio que em 2Timóteo 3:14 (Tu, porém, permanecesse naquilo que aprendestes, e de que fostes inteirados, sabendo de quem os tens aprendido."), o Espírito Santo me ordena a permanecer naquilo que aprendi. Como tenho convicção que o que aprendi vem de o Senhor Jesus através de sua palavra infalível - a Bíblia Sagrada - quero continuar tradicional nesse permanecer, entendo, de forma simples, que a "fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos" (Jd 3), não comporta novidade alguma como acréscimo. Prova disso é a convicção de Paulo em Atos 20:27, afirmando que anunciou aos irmãos de Éfeso "todo o conselho de Deus". Creio também que todo o conselho de Deus já está lá, nas Escrituras Sagradas! Ela é completa e suficiente como rumo da fé! Como tenho medo de me "apartar da simplicidade e da pureza que há em Cristo" e seguir "outro evangelho" (2Cor. 11:3-4), prefiro continuar tradicional na doutrina bíblica a seguir os "visionários" do evangelho da pós-modernidade, temperado até com doutrinas da nova era (só não vou citar alguns nomes dos promotores deste evangelho anátema, porque teria, por uma questão de justiça, de citar nomes até de pastores batistas, incoerentes, pois de batistas só mantém o rótulo, ms o legado doutrinário e histórico já sacrificaram nos altares do humanismo e do pragmatismo), mesmo que muitos que estão seguindo "a visão" ou "a unção" dos anátemas estejam conseguindo o tão almejado "sucesso".


2- Lendo o contexto do texto (2Tm. 3:1-9 e 4:3-4), entendo que o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, já estava antevendo a influência maléfica que o humanismo, o antropocentrismo, o misticismo-sincrétista e o relativismo iriam exercer sobre as igrejas. Essa influência trouxe, dentre outras mudanças importantes (para não dizer letais, pois aí seria muito negativismo...), pelo menos duas muito sensíveis:


2.1- A maneira de encarar a fé. A fé deixou de ser alicerçada na revelação do mistério de Deus - Cristo - que  é seu autor, consumador e ápice desta revelação, contida tão somente na Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, e passou a ser encarada como uma "lei que pode ser dominada por qualquer pessoa que aprende os seus segredos". Sendo assim, "a fé perdeu sua base nas escrituras e passou a ser intimizada: o que cada um pode sentir passou a ter mais valor do que o que está escrito. A fé intimizada, vivida em nível de sensações e sentimentos... (com isso) a tradição e a história perdem o valor e dá-se muito mais valor às emoções, visões, sonhos...." (Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho).


2.2- A questão da liturgia. Mesmo que muitos digam que liturgia não tem nada a ver com doutrina, na verdade ela expressa a doutrina que abraçamos. A liturgia do "evangelho da pós-modernidade" transformou o culto num "show", num entretenimento para afagar o ego humano. Num ambiente assim, vale o que está na moda e fazendo sucesso (aqui em minha cidade, uma igreja "evangélica" promove roda de capoeira no santuário, para atrair jovens). As músicas e hinos são julgados pelo tempo de uso e pelo ritmo, não mais pela sua mensagem. Mesmo que um hino seja pura adoração e tenha uma teologia realmente bíblica, pode ser duramente rechaçado se estiver num hinário considerado antigo, tradicional, como Cantor Cristão por exemplo.


Peço licença para não aceitar essa forma simplista e imatura de julgar o valor de uma música de adoração, e também não posso aceitar o desvio da fé que o tal "movimento da fé" está impondo sobre as igrejas. Se isso é contextualização, tô fora! Como professor, trabalhando na rede públicas com adolescentes, tenho lutado para ensinar aos meus alunos que contextualização não é massificação - o ato de deixar de pensar - e que eles não precisam colocar piercing em toda parte do corpo para se sentirem contextualizados. Será que os nossos cultos têm que seguir todos um mesmo padrão (o padrão lagoinha!).


Prefiro continuar tradicional e ter a liberdade de poder pensar, de poder julgar o que presta e o que não presta. Prefiro ficar com a liberdade de usar somente a Bíblia como regra de fé e conduta e como referencial para o culto, para a adoração e o louvor, tendo assim liberdade para cantar os cânticos contemporâneos que me convierem e também, a liberdade de cantar hinos considerados antigos, sem ter que ficar "constrangido" por isso, o que me interessa é se sua mensagem é abalizada pela Bíblia.


3- Por fim, peço licença para continuar tradicional, crendo que minha maior necessidade não é entrar para esse ou aquele movimento ou conhecer "o mais novo método" de crescimento da igreja (assim como no louvor, sou livre também para conhecer e praticar ou não um método, desde que seja realmente bíblico e viável para a realidade de minha igreja). O de que mais necessito é conhecer a Jesus, saber mais dele e me envolver cada vez mais com ele, tornando assim possível que outros venham a conhecê-lo também. "Antes crescei na graça e no conhecimento de Cristo Jesus" (2Pedro 3:18). Esse conhecimento é muito mais escriturístico do que místico. Continuar tradicional, a meu ver, não é ignorar os desafios e as necessidades (crises) do homem do meu tempo e viver preso ao passado nostálgico, não! É, dentre outras coisas, viver a fé de maneira vibrante, dinâmica, com alegria contagiante (opa! Mas sem pula-pula e requebrados"!). A abordagem ao homem contemporâneo, certamente é contemporânea, mas a resposta aos seus dilemas certamente é tradicional: "Cristo é a Única Esperança!"  A resposta não é uma campanha, ou um método, não são palavras mágicas de "mantras evangélicos", não é um movimento de primeira ou "terceira onda", a resposta é uma pessoa É Jesus!


Ele deixou em seu testamento o rumo da igreja, a base e o objetivo da fé: Ele mesmo. Mas, para muitos, como diz o já citado Pr. Isaltino, "a visão é ser uma mega-igreja. Neste afã, doutrinas e posições históricas são sacrificadas por métodos esquisitos e antibíblicos desde que estes dêem certo. O que vale é o pragmatismo de ajuntar gente, de ter uma igrejona... A igreja precisa de rumo. Ela não precisa de novos propósitos como alguns parecem interpretar".


Quero continuar tradicional pregando  apenas a sã doutrina, a palavra, a pessoa de Jesus e sua obra redentora, singular, na cruz "que ainda firme está". Mesmo que isto signifique ter um "perfil" inadequado para a cultura vigente (viva e venerada em nossos processos de sucessão pastoral). Nossa "cultura" prefere se voltar às fábulas. Quero ser um "pastor desnecessário", pregando a Cristo, considerando isso um grande privilégio que me faz tremer de temor.


Termino fazendo um apelo: Que outros irmãos, pastores, líderes, assumam posição. Mesmo que alguns achem esse tema "controverso" e cheguem a ficar "ababelados". Mesmo que haja "um zelo insano para conter o debate", como disse o dc. Joel Evangelismo Bueno (OJB nº 37, edição de 12/904, p.7). Mesmo que alguns venham a dizer que isso é fundamentalismo. Não importa, é preciso assumir e manifestar posição. Louvo a Deus por aqueles que já o tem feito com maestria. A todos meu muito obrigado. Quanto aos que não concordam com uma tomada de posição, além do meu pedido de desculpas, quero pedir licença para parafrasear Paulo: Daqui pra frente ninguém me importune, pois trago em minha consciência a convicção de um batista tradicional e em meu caráter quero ter as marcas de Cristo.


Pr. Eliseu Lucas - Igreja Batista Vieira, em Teresópolis RJ
(Publicado no O Jornal Batista em 24/4/05)



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quinta-feira, 20 de março de 2008

Por que Não Falamos em Línguas?

A resposta? Simplesmente esta: Nós não falamos em línguas porque não é bíblico assim fazer. "Mas, no Novo Testamento as pessoas não falavam em línguas? Isto não faz dela uma prática bíblica?" Não. Algumas coisas na Bíblia pertencem a pessoas e tempos especiais; não a nós. Jesus ressuscitou dos mortos e os apóstolos podiam manejar miraculosamente serpentes mortais sem dano algum; mas nós não podemos fazer estas coisas hoje.

Os batistas são acusados de não terem o Espírito Santo, porque nos cultos genuinamente batistas tradicionais não se ouve o que se chama de línguas, e não se faz barulho. Não há gente caindo, desmaiando, não há gritaria, choro contínuo e histeria. Os cultos da igreja batista, dizem, são frios, silenciosos. Dou Graças a Deus por este silêncio. Imagine como o pastor iria pregar, se todos estivessem fazendo ruído e barulho ao mesmo tempo! Como iríamos examinar e entender a Bíblia?

O fruto do Espírito Santo é o domínio próprio. A pessoa que tem o Espírito Santo tem domínio próprio; ela se domina; é temperante, equilibrada; não fica fora de si, entregue a espíritos malignos. Quem tem o Espírito Santo, não se descontrola. O Espírito Santo não derruba ninguém. Ele levanta o caído, ergue o homem abatido.

O pentecostes

Os judeus de diversas nações - cada qual falando o seu próprio idioma - se reuniam em Jerusalém no 50º dia (que em hebraico é pentecostes) após a grande solenidade pascal para celebrarem a Festa do Pentecostes - a segunda das três grandes festas anuais que deviam comparecer todo o povo de Deus. Por ocasião desta reunião solene, todos deviam trazer as primícias (primeiros frutos) da colheita, dedicando-as ao Criador. Por estas características, esta celebração era também chamada, alternadamente, de Festa das Semanas (pois era comemorada ao se completarem 7 semanas após a Páscoa), Festa das Primícias e Festa da Colheita.

Foi num dia de Pentecostes que Deus manifestou a presença do Espírito Santo através de um milagre verdadeiro, pois "todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus" (At 2.11). Falaram-se línguas (note o plural; a Bíblia não está falando de algum idioma celestial). Não se falou "língua de anjos", não se fez barulho incompreensível ou outras esquisitices. Falaram-se línguas e todos os presentes puderam se entender, pois cada um ouvia no seu próprio idioma, mesmo sendo de nações diferentes (At 2.6).

O que são "línguas"?

Tudo o que sai da boca em matéria de barulho é língua? A razão porque muitos interpretam mal o "dom de Línguas" é porque não sabem nem o que significa uma língua. O que vem a ser as tais línguas? Serão um ruído estranho que ninguém entende? Não! Língua é um idioma; é um sistema de palavras que exprimem pensamentos falados por um certo povo (inglês, português, espanhol, alemão, etc.).

Línguas estranhas ou estrangeiras?

"Línguas estranhas" na Bíblia significa idiomas estrangeiros, de outros países e não, como muitas pessoas acham, língua esquisita, indecifrável, não conhecida por qualquer povo ou nação. Em 1Co 14:16 e 23 os Coríntios são advertidos que os indoutos (pessoas com pouca ou nenhuma escolaridade) não podiam entender as línguas. Essas declarações seriam sem sentido se as línguas não fossem idiomas humanos já conhecidos por alguns. Em 1Co 14:21, Paulo cita uma profecia do Velho Testamento relativa ao propósito das línguas. Esta profecia trata-se do idioma humano que revela novamente a natureza da língua em Corinto. Não são línguas esquisitas, línguas de anjos e nem falsos idiomas, mas línguas verdadeiras, faladas por algum povo. Então, um idioma não deve ser usado numa congregação que fala outro idioma. Sem a interpretação, o falar em línguas estrangeiras não edifica. E Paulo enfatiza que todos as coisas devem ser feitas para edificar (ou fortalecer) os outros - 1Co 14:26b. Usá-las na igreja era inadequado e inconveniente, visto que elas deviam ser interpretadas/traduzidas.

O registro de línguas na Bíblia

O dom de línguas é mencionado apenas em três livros do Novo Testamento (Mc 16:17-20, At 2:1-13; 10:45-46; 19:6, 1Co 12:1 a 14:40). É importante observar que poucos livros das Escrituras mencionam línguas. Entre as 21 epístolas do Novo Testamento, nas quais salvação, gozo Cristão, crescimento espiritual, qualificações ministeriais e o trabalho do Espírito de Deus são mencionados, apenas em uma única são mencionadas as línguas (e mesmo assim tratava-se de uma repreensão devido a elevação e o abuso sobre este dom). É inexplicável, biblicamente falando, o dom de línguas como é visto no movimento pentecostal.
Porque as línguas cessaram?

Deus nunca teve a intenção de que o falar em línguas continuasse indefinidamente. Paulo expressamente escreveu: "as línguas cessarão" (1Co 13:8). O esforço evangelístico que estabeleceu a igreja primitiva em todo o mundo Mediterrâneo, foi realizado sob a liderança dos apóstolos. Os ofícios apostólicos e proféticos eram revelatórios (Ef 3:5). Durante o período no qual o Novo Testamento estava sendo escrito, eles recebiam a verdade diretamente de Deus. A revelação que eles receberam foi registrada nos livros que chamamos o Novo Testamento. Pelos dons extraordinários, Deus confirmou os escritos dos apóstolos (Hb 2:2-4). Quando a escrita das Escrituras se completou (o Canôn foi fechado), sua autoria não necessitava de confirmação adicional. Foi somente durante o lançamento dos fundamentos da igreja que os dons miraculosos eram necessários. As funções de apóstolo e profeta, sobre quem Deus depositou estes dons, cessaram quando este fundamento foi lançado. Isto é claro a partir de Ef 2:20. Um fundamento é lançado somente no princípio; ele não se estende até às paredes ou ao texto!

Os sinais e maravilhas pertenceram ao período fundacional da igreja. Eles não têm mais lugar na igreja hoje tal como a continuação da escrita da Bíblia. Você pode assumir, portanto, que não importa quão bem intencionadas as pessoas que reivindicam o dom de línguas possam ser - ou o "balbuciar celestial" que elas possam parecer falar - elas têm enganado a si mesmas e aos outros sobre o assunto. Não importa a sinceridade delas.

E os dons cessariam - línguas, ciência e profecias

Em 1Co 13:8, fomos instruídos que os dons cessariam. Os dons definitivamente cessaram entre 95-96 d.C., quando as Escrituras foram completadas.

A Cessação das Línguas: "Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado." (1Co 13:10). Há aqueles que querem dizer que "o que é perfeito" refere-se a Jesus Cristo, e que esta passagem fala sobre a segunda volta de nosso Senhor. Para quem que conhece o grego, fica mais fácil compreender o assunto, porque o grego é bem claro. Quando se diz "quando vier o perfeito", o artigo "o" não é masculino, como se o artigo se referisse a uma pessoa, do sexo masculino, como à pessoa de Cristo. Há os que afirmam que os dons só vão cessar quando Cristo voltar, mas Cristo não veio ainda e então acham que precisam falar "língua estranha" (não um idioma, como a Bíblia claramente diz). No grego, o artigo "o" que está antes da palavra "perfeito" é um artigo neutro. No grego isso se refere a coisa e não a pessoa, porque as pessoas, ou são do sexo masculino, ou são do feminino. A construção em grego é neutra, o que descarta a possibilidade de estar tratando de alguém, não sendo, assim, uma referência a Jesus, nem, como querem alguns outros, ao Espírito Santo. Esta construção trata de algo, de um objeto, e não de alguém. A frase "o perfeito" - em grego, "to teleion" - contém a idéia do fim ou objetivo alcançado, se referindo claramente ao fechamento do Cânon Sagrado - os 66 Livros da Bíblia. Não há outro entendimento possível senão o de que este texto está tratando da Palavra de Deus que ainda estava sendo escrita na época em que este texto foi escrito.

A Cessação da Ciência: "Ciência" aqui deve ser entendida, não como o que entendemos hoje por ciência, ciência humana, ciência natural. Não. "Ciência" é sinônimo de "conhecimento". É um dom do Espírito Santo, dom de um conhecimento sobrenatural. Aqui não se diz que a "ciência" vai cessar no sentido atual da palavra ciência. Pelo contrário, Daniel diz, neste sentido, que a ciência se multiplicará. Não está Paulo falando de ciências físicas ou naturais. Não está falando dos conhecimentos tecnológicos do mundo. Estes estão se multiplicando, não estão cessando. Aqui "ciência" era um dom sobrenatural de conhecer verdades que o Espírito Santo revelava.

A Cessação das Revelações: Revelações? Quem tem revelações hoje? Geralmente são pessoas dadas ao ocultismo, ao espiritismo. Mesmo certos "evangélicos" acham que estão tendo revelações. E chegam a dizer: "Eu fui revelado(a)". Revelado do que? E quem te revelou? Foi o Espírito Santo? Atribuem tudo isso ao Espírito Santo. E quando a gente afirma, biblicamente, que isto não é bíblico, porque as revelações cessaram com a Bíblia, que a Bíblia é a ultima revelação de Deus aos homens, nos atacam dizendo: "Você está blasfemando contra o Espírito Santo. Cuidado! Está dizendo que não é o Espírito Santo que revelou aquele sonho que eu tive? Isso é blasfêmia contra o Espírito Santo!" Outra má interpretação da Bíblia. Quanta ignorância!

Hoje a Bíblia está completa e temos o conhecimento completo, a perfeita revelação de Deus (to teleion); porque procurar mais? Todos aqueles que estão procurando revelações fora da Bíblia estão dizendo, em outras palavras, que para eles a Bíblia não é suficiente, não é completa. Sim, porque se eu dissesse aos irmãos: "Eu tive um sonho, uma revelação, uma visão. Atentem para o meu sonho, aquilo que Deus me mostrou, aquilo que Deus me revelou em visão", então eu estaria dizendo: "a Bíblia não é suficiente para os irmãos. Somem isso à Bíblia. Isso que eu tive de revelação de Deus acrescentem à sua Bíblia." Viria um outro e diria: "Eu também tive uma visão. Acrescentem mais uma à Bíblia." Onde é que iríamos parar com essas revelações todas por aí? Onde caberiam as "bíblias" que seriam escritas com todas as revelações e visões que andam por aí, no espiritismo e em certos cultos chamados evangélicos?

As línguas hoje

Alguns podem estar se perguntando como eu explicarei o fenômeno moderno de falar em línguas encontrado no movimento pentecostal. Fácil! Primeiro gostaria de deixar bem claro que há somente duas fontes de poder espiritual: a) Deus (infinitamente poderoso), e b) o Diabo (limitado mas, se e enquanto permitido por Deus, pode imitar milagres, fazer coisas poderosíssimas). Então, por estas "línguas modernas" contradizerem a Bíblia no ensino relativo à sua natureza, propósito, duração e regulamento, elas não podem ser de Deus. Deus não contradiz a Sua Palavra (1Co 14:37, Mateus 5:17-18).

Além da certeza bíblica, temos também: 1) o testemunho da história, em 20 séculos (quase 2000 anos) onde não houve nenhuma manifestação dos tais "dons" até o início do fenômeno herético da rua Azuza (EUA) em 1906; 2) o testemunho dos pais da igreja, que presenciaram e escreveram sobre a cessação progressiva dos dons conforme foram morrendo os apóstolos até a cessação completa destes dons; 3) o testemunho dos reformadores e dos grandes teólogos e pregadores do passado, que nunca acreditaram na atualidade dos tais dons e sempre ensinaram e provaram biblicamente que os mesmo cessaram. Agora pergunto: Deus ficou sem agir durante quase 2000 anos? Os pais da igreja eram mentirosos? Os pregadores e teólogos do passado (Spurgeon, Bunyan, Wycliff, Müller, entre outros) não tinham o Espírito Santo?

Há apenas 4 causas para as línguas pentecostais que tanto contrariam a Bíblia

a) É falso porque é mero fingimento consciente: O falante de línguas pode estar desavergonhadamente fingindo consciente e propositadamente, para não ficar por baixo na sua reputação, ou para obter renome ou outras vantagens.

b) É falso porque resulta de pressões: O falante de línguas pode estar tendo um comportamento psicológico e socialmente doentio, de imitação inconsciente, de sucumbir às pressões de seus líderes e de outras pessoas. Ao contrário do Novo Testamento, os defensores das línguas modernas ensinam as pessoas como falar. Uma forma de auto-hipnose, na qual o cérebro entra em "curto circuito" (surta) e começa a falar sem parar.

c) É falso porque resulta de problemas fisiológicos: Certos tumores cerebrais e distúrbios neurológicos podem levar qualquer um a um "estado alterado de consciência" e ao mesmíssimo fenômeno de línguas dos pentecostais! A psiquiatria sempre associou a glossolalia (do grego "glóssa" [língua]; "laló" [falar] - falar línguas "estranhas", sem sentido) a distúrbios mentais, tanto que o Dicionário de Psiquiatria em seu verbete glossolalia a aponta como grave distorção de linguagem provocada por desequilíbrio mental provocada por patologia ou induzida por medicação ou situações de crise emocional (surto psiquiátrico).

d) É falso porque tudo resulta de influência de demônios: Muitos são os acontecimentos em que demônios falam através dos possuídos. Os cristãos sempre viram a fala extática dos pagãos como tendo procedência demoníaca. A glossolalia incide em praticamente todo culto religioso humano. Há "línguas estranhas", idênticas as pentecostais, no Afeganistão entre uma seita muçulmana, no budismo, no xamanismo, na umbanda, quimbanda etc.

Se você fala "em línguas estranhas" e não um idioma verdadeiro, falado por alguma nação, analise-se bem e me responda: Qual é o seu caso: a) fingimento consciente?; b) inconsciente resultado de pressões?; c) resultado de problemas fisiológicos?; d) resultado de influência de demônios? Não há nenhuma outra causa lógica e bíblica possível para as "línguas" dos pentecostais, apenas as quatro causas citadas e suas combinações.

Conforme tudo o que foi exposto aqui, concluo que as Igrejas Batistas têm todo o direito de proibir e combater as imitações e falsificações modernas deste dom, e afirmo que ninguém é obrigado a aceitar ou concordar com a Declaração Doutrinária da Fé Batista, porém, as Igrejas Batistas também não são obrigadas a aceitarem ou compactuarem com ninguém que não creia, não pratique ou rejeite a sua Confissão Bíblica de Fé e Doutrina.

Creia Pensando e Pense Crendo, pois Crer é também Pensar!

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sexta-feira, 7 de março de 2008

O bispo e o aborto

Foi lançado recentemente pela Editora Larousse a biografia de Edir Macedo, com o título "O bispo". Não comprei e nem pretendo comprar tal livro. Mas, visitando uma grande livraria aqui no Rio de Janeiro, onde é permitido ler algumas partes dos livros que estão à venda, li o trecho onde o biógrafo Douglas Tavolaro narra o posicionamento de Edir Macedo sobre o aborto.


Edir Macedo já tinha externado sua posição favorável ao aborto ao ser entrevistado pela revista Época e pelo jornal Folha de São Paulo.


Mas o que mais me chamou a atenção, no tema "aborto", no livro "O bispo" foi o texto citado pelo líder da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus).


Relata o biógrafo que ao ser perguntado sobre o que pensava a respeito do aborto, Edir Macedo teria se levantado da cadeira e alcançado uma Bíblia e citado Eclesiastes 6.3, que diz: "Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, de modo que os dias da sua vida sejam muitos, porém se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele".


Pasmem! Com esse texto, Edir Macedo baseia sua posição favorável ao aborto.


Sempre vi falhas na hermenêutica da IURD, especialmente no que tange as interpretações de textos sagrados que falam de dinheiro e bens materiais. Mas agora, ao citar Eclesiastes 6.3 para defender o aborto, como dizia meu falecido pai, "é o fim da picada".


Apenas para refrescar a memória, hermenêutica, conforme o dicionário on-line, Priberam, "é a arte de interpretar os livros sagrados; interpretação dos textos, dos símbolos; interpretação do sentido das palavras; arte de interpretar as leis".


Alguém precisa dizer a Edir Macedo que um dos fundamentos da hermenêutica é interpretar um texto bíblico sempre à luz do seu contexto e sempre deve ser levado em conta o que a Bíblia, como um todo, trata o assunto.


Só para exemplificar o perigo de interpretar um texto sem levar em conta o contexto, como Edir Macedo fez, podemos até afirmar, pela própria Bíblia, que Deus não existe. Basta ler isoladamente três palavrinhas que aparecem em Salmo 14.1, onde diz "não há Deus".


Alguém precisa dizer a Edir Macedo que Eclesiastes 6.3, numa linguagem alegórica, fala da infelicidade e o destino de um homem que vive a vida sem Deus. Um homem que vive nessas condições é como se não tivesse vindo ao mundo. É disso que o texto trata.


Se você, leitor, encontrar Edir Macedo por aí, diga-lhe que um líder religioso tem uma grande responsabilidade e que suas palavras e escritos pensam muito na vida de milhares de pessoas e que Deus pedirá contas de cada um de nós (Hb 4.13).


Diga-lhe que da próxima vez que pensar em dar alguma opinião sobre o aborto que considere seriamente Jeremias 1.5 e Isaías 49.1, onde mostram que Deus se relaciona com a pessoa ainda no ventre materno. Diga-lhe para considerar também Salmos 139.13-16 onde mostra que Deus é quem dá forma e vida desde o momento da concepção de um ser humano.


Lembra-lhe a passagem bíblica em Lucas 1.41 onde, ainda no ventre de Isabel a criancinha saltou de alegria.


E por último, lembre a Edir Macedo, o texto bíblico que se encontra em Êxodo 20.13, que diz: "não matarás".


Pr. Gilson Bifano - www.clickfamilia.org.br

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